Capítulo 129

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Capítulo 129 — Lorena

Quando eu ouço os fogos no céu, sei que o inferno acabou.

Não me iludo mais com uma vida calma, não foi isso o que eu escolhi pra mim. Tô fundamentando a minha família na correria, vou lutar pros meu bebê ter a opção de sair disso aqui ileso, se quiser. Mas existe uma certeza, bem presa no meu coração de que esse foi o pior inimigo que passou pela minha vida. Meu pai.

Imaginei durante anos que a morte do meu pai seria o dia mais fudido da minha vida, mas, sinceramente, talvez seja um dos melhores dias para ser vivido. Ninguém poderia imaginar que eu me sentiria como se um caminhão de cimento tivesse sido tirado das minhas costas.

Mas também não vou me crucificar, ele fez questão de acabar com qualquer sentimento bom que eu senti por ele. Que se foda então.

Olho de canto, sentada no sofá, e vejo uma lágrima escorrendo pelo rosto da Laís. Imagino que a cabeça dela esteja uma loucura também, nada vai apagar o que vivemos...

— Agora acabou — falo e seguro a mão dela, que concorda firme com a cabeça — Como você tá se sentindo?

— Aliviada — ela respira fundo e sorri de lado —  Lógico que me sinto um pouco vingada pelo meu marido e eu sei que você e o Matheus vão ter muitos problemas pra arrumar agora, mas, porra, não queria mais criar meus filhos com esse cara solto por aí — diz e eu concordo com a cabeça, fazendo um carinho na mão dela — Essa era a minha maior preocupação.

— Tu me ensina todo dia o que é ser mãe. Eu olho pra você e penso sempre que quero ser igual a você.

— Você vai ser melhor — ela coloca a mão na minha barriga e sorri — Você é uma madrinha incrível. Lucas te ama, a Maya... Nossa. O que você fez por ela... até psicólogo e escolhinha você ajuda a pagar... É instinto, princesa. O que a Rita fez por você, foi instinto... Hoje eu entendo.

— Eu também — digo e olho a mulher que me gerou sentada na mesa conversando com Soraya — Já passei da etapa do julgamento.

— Faz bem... Mamãe vai ser brabona, não é, neném de titia? — Laís fala com a minha barriga e eu sorrio.

— Vou pra casa, tudo bem por você? — pergunto, sentando na beirinha do sofá.

— Vai, vocês merecem um momento de vocês, pode ficar tranquila... Eu fico com elas — me tranquiliza e eu faço força pra levantar do sofá com a barriga que tá pesando bem mais agora — Eita, grávida pra levantar é uma humilhação — ela gargalha.

— E tu rindo de mim, palhaça.

— Tu ria de mim, eu tenho direito de rir agora — ela me ajuda a ficar de pé e me abraça — Obrigada, Lorena.

— Pelo o que? Tu não tem nada a agradecer — aperto as costas dela.

— Por tudo. Você é a minha família, amiga.

— E você é a minha. Não vou deixar mais ninguém tirar a paz de você e dos seus filhos.

(...)

Entro em casa e deixo todas as minhas coisas na mesa da sala, sendo recebida por muitas lambidas de Granadinha.

Olho pro chão e vejo papel toalha da cozinha todo estrassalhado pelo chão da sala.

Tento ficar com raiva, mas é impossível não sorrir com a felicidade dela ao me ver e abaixo pra fazer carinho no pelo branquinho e gostoso.

— Seu pai fica com pena de você, te deixa entrar e tu faz essa bagunça? Aí tu me diz como vai ser com uma criança? Ele vai deixar tudo também? — ela balança o rabo e me olha — Ele tá lá em cima? Colocou comida pra você?

Sonho dos crias [M]Onde histórias criam vida. Descubra agora