Capítulo 101

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Capítulo 101 — Lorena

Desço a escada de casa e a Cecília me olha, sentada de lado no colo do Leão, que está no sofá.

— Você não acha que o Leão deveria me levar pra passar o final de semana no casarão dele em Cabo frio? — minha amiga me pergunta, quando vou me aproximando.

— Ah não — nego com a cabeça — vocês vão me deixar solitária? — faço um draminha, igualzinho ela faz.

— Tá solitária porque quer, porque tá de palhaçada — ela passa os braços ao redor do pescoço do Leão e ele segura a cintura dela. Fofos — Aí eu tenho que pagar o preço...

— E você não tem morro novo pra tomar conta, não? Seu chefe tá arrumando mais trabalho pr​​a você — digo e ela faz careta​​.

— Tá pronta? – Leão pergunta pra mim.

— Sim, vamo lá — Respiro fundo.

Dom marcou uma reunião hoje. Acredito que seja pra falar sobre a Nova Holanda, o morro novo que o Matheus pegou na semana passada e o Pikachu tá de frente.

Me sinto tranquila por ser a primeira reunião que vou como dona da Penha de fato, mas sinto um nervosismo e apreensão por ser a primeira vez que nos veremos depois do término.

Capitão fugiu mais uma vez e precisamos arrumar um jeito de dar um fim nisso. Eu só vou ter paz no momento em que meu pai tiver morto, nenhuma verdade é maior do que essa. ​​

— Quem vai com nós? — Cecília sai do colo dele e vai pro sofá, permitindo que ele levante.

— Fiel, Jorginho e Concha — falo, pegando a bolsa em cima da mesa — Amiga, se você quiser, tem comida na geladeira, mas qualquer coisa pede pro menino aí fora.

— Pede nada, me liga que eu mando trazer — Leão vira pra ela — Quero tu de papo com esses moleques não, cachinhos de ouro.

— Se manca, bofe. Tá pra nascer o homem que vai falar isso pra mim e eu vou obedecer — ela diz, toda metida, e eu rio.

— Eu vou ser dinda dos filhos de vocês — falo e saio de casa, encontrando Fiel dirigindo um carro e mais com soldados na nossa segurança.

(...)

Entro na área onde estão os outros donos e subs na casa onde o Dom resolveu fazer a reunião hoje. Leão está logo atrás de mim e eu​​​, involuntariamente, procuro o Matheus e vejo ele conversando com o Pikachu no fundo da laje.

Questão de segundos pro olhar dele cruzar com o meu. Sinto meu corpo gelar por dentro. Meu coração dói e parece bater no início da garganta​.

Ele leva o copo até​ a boca e, sem tirar os olhos de mim, ouve o Pikachu falar.

Mudo o foco ​para o outro lado, os outros parceiros me cumprimentam e eu respondo sorrindo. Ando até a mesa onde o Dom está, ele​ sorri pra mim, porque sabe que eu to puta com ele, mas não falo nada em respeito a hierarquia que ainda existe aqui dentro.

— Chegou quem tava faltando — diz, virado pra um cara que eu não conheço.

Estico a mão pro Dom, que a segura, me cumprimentando.

— Conhece a Princesa, JP? — pergunta e o tal do cara ​me olha.

— Já chegou no meu ouvido. Satisfação — aperta minha mão logo em seguida.

— Paulista? — levanto uma sobrancelha, perguntando por causa do sotaque pesado.

— Esse papo — ele sorri e solta minha mão — Sotaque entrega muito? — pergunta e eu concordo, mas viro pra olhar pro Dom.

Sonho dos crias [M]Onde histórias criam vida. Descubra agora