Capítulo 11 - Pov Princesa
Cpx do Alemão, Rio de Janeiro
Baile
— Vem, Princesa — Raquel puxa meu braço bruscamente pra me fazer levantar — DJ já anunciou o show do Oruam, daqui a pouco ele entra.
Eu me levanto com o copo na mão, puxando meu vestido que não para de subir. Eis os malefícios de ser uma grande gostosa.
Percebo o olhar do Jogador em mim, mas não viro pra trás. Ando até a grade do camarote, me juntando à Laís que olha lá pra baixo, deve estar procurando o Sábio. Passo meus olhos pela multidão que lota o campo onde tá rolando o baile, localizo ele entre os homens da contenção, todos com o fuzil pro alto dançando no ritmo da música que ainda toca, do lado dele tá o Pikachu.
Andar entre o povão é uma boa estratégia de aproximação com a comunidade, se bem organizado com a segurança. Eu gosto da conduta do Sábio por aqui.
Em determinado momento Pikachu bate no ombro do Sábio e fala algo em seu ouvido, rindo como sempre. O chefe olha na nossa direção aqui no camarote percebendo que a Laís está de olho nele e sorri falando um "eu te amo" sem som pra ela, que entende por leitura labial.
Mais um dia difícil pras solteiras.
Acho muito lindo ter alguém pra entregar o seu melhor, principalmente no crime que traz tudo de pior que você carrega à tona.
Quando me dou conta, Oruam tá entrando no palco e as trancinhas dele se destacam de longe. Dá pra ver que os meninos investem uma grana maneira aqui no baile, a produção dos show é foda, com luz e fogos. Só consigo pensar no lucro dessa noite.
Ele começa cantando Papo de Augustin, fazendo o baile todo cantar com ele.
Eu encosto mais ainda na grade do camarote, toco meu braço no da Laís e aproveito pra endireitar a alça da minha bolsa que pesa por causa da arma.
— Bombei com aquela música do invejoso — Raquel canta junto com o cantor fazendo stories e eu franzo a sobrancelha — hoje elas quer me dá só porque o Oruam é famoso.
Eu chuto que ela saiba muito bem quais são as regras em qualquer comunidade, parece bem à vontade aqui, mas digamos que gravar stories direto de um camarote cheio de chefões do tráfico não seja uma escolha muito saudável.
Em questão de segundos me viro procurando o olhar do Jogador, ele também olha pra mim, depois segue meu olhar que vai até a Raquel e chama um soldado, cochichando algo no ouvido dele. O soldado concorda com a cabeça, endireita o fuzil e vem andando na nossa direção.
— Ai mina, com todo respeito, pode filmar aqui não — ele chega perto dela falando — apaga aí, namoral.
— Mas eu não tava gravando ninguém, era só o show.
— Independente — o cara sustenta o olhar pra ela que também mantém a pose.
— Qual é o teu vulgo? — ela pergunta com a sobrancelha erguida.
— Raquel, tu sabe muito bem das regras, apaga isso — Laís intervém visivelmente irritada. Primeira dama, né amores? Ela manda muito.
A fiel do Pikachu bufa, apaga o vídeo e mostra pro vapor com um sorrisinho falso no rosto. Ele apenas vira as costas e sai.
Eu olho de novo pro Jogador que tá observando tudo sentado no sofá e apoiando a mão com o copo na perna. O rosto dele sério indica que sabe muito bem que a Raquel não ficou felizinha em apagar o vídeo não. Parece que o Jogador não gosta muito de insubordinação.
Por um momento eu tinha até pensado em repreender a Raquel, mas eu acabei de chegar aqui, conheci elas hoje, não tenho moral... Ainda preciso fazer meu nome aqui, principalmente pro Sábio e pro Jogador.
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Sonho dos crias [M]
FanfictionE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
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