Capítulo 76 — Jogador
Deixo o campo onde tava reunido com o meu bonde e vou pra boca, pensando ainda naquela filha da puta me provocando. Só aquela buceta mesmo pra aliviar meu nível de estresse,
Tento colocar em ordem, na minha cabeça, cada pedacinho do plano que eu to montando pra dar um fim na vida fudida do Capitão. Cada dia que passa eu acho mais absurdo ele continuar vivendo sendo o filho da puta traidor que ele é, parada absurda.
— Falaram que viram a Princesa tendo uma discussão — Pretinho entra pela porta da boca falando — Moleque falou que parecia ser aquela mulher que trabalha de cozinheira pra dona Jô.
— Rita? — questiono, tento imaginar um motivo.
— Essa mermo — ele concorda e eu vejo meu celular tocando em cima da mesa, com a foto que tiramos quando fomos buscar carga na casa do Leão.
— Dá o papo que não é pra essa mulher sair da favela — aponto o indicador pra ele e pego o celular, atendendo a ligação.
Jogador: Quem eu preciso matar, minha vida?
Princesa: Tô bem, só tô precisando de você um pouquinho— ouço a voz de choro dela do outro lado da linha. Lorena foi tanto a minha fortaleza que é até estranho ouvir ela assim.
Jogador: Fala pro teu amor onde tu tá — digo colocando a minha glock na cintura enquanto seguro o celular encostando o ombro na orelha.
Princesa: Eu não sei — ela pausa uns segundos — Indo da casa da Laís pra pracinha, acho que é a terceira viela à esquerda.
Jogador: Tô chegando já, tá bom?
Princesa: Tá — ela funga e desliga o telefone.
Meu coração aperta pra caralho em ouvir ela assim. Nesses três últimos meses que passaram, nossa parceria evoluiu pra um nível que eu nunca tive e sei que nunca vou ter com mais ninguém.
Passo a mão pelo resto das minhas coisas, coloco celular no bolso, fuzil nas costas e rádio na cintura. Quando chego na frente da boca, o Pikachu olha pra minha cara e levanta da mesa onde ficam as drogas.
— Qual foi, aconteceu o que com ela?
— Não to ligado ainda — ando em direção a minha moto — Quero Concha e Pitbull comigo — aponto pros dois, que levantam na mesma hora.
Subo na XRE e dou partida, ouvindo eles virem logo atrás. Passo pela pracinha e vejo Cecília e Laís tomando sorte com o Lucas, eles estão bem, então sigo pra onde a Lorena me indicou.
Desço da moto ainda na rua da Laís e olho pra trás, os moleques param logo do meu lado.
— Fiquem aqui até eu mandar — digo e entro na terceira viela, vendo ela sentada no chão.
A imagem que vem na minha cabeça é a do dia da morte do Sábio, ela totalmente travada olhando pro corpo do meu irmão.
Ando até ela e sento do lado, puxando a cabeça dela pro meu ombro.
— O que foi, amor? — pergunto e faço um carinho no queixinho lindo dela, que treme por causa da crise de choro.
— Conheci a minha mãe — ela me responde, segurando o soluçou e eu sinto a porra de um choque — Rita — ela explica.
Tomo um distância de alguns centímetros, pra conseguir olhar pros olhos dela, estudo o rosto dela todinho. Desde o nariz vermelho até os cílios molhados. Porra, eu amo essa mulher e não faz bem pro meu coração ver ela assim.
— Quer conversar sobre isso agora? — pergunto segurando o rosto dela e ela nega.
— Suave, vou ficar aqui contigo — encosto a cabeça dela no meu peito e sinto ela começar a chorar, agarrado nas minhas correntes.
Rádio: chefe, na escuta? — ouço a voz da Rapunzel — Cadê, Princesa?
Estico a perna e tiro o rádio da minha cintura.
Jogador: Tá comigo já, fica suave.
Jogo o rádio do meu lado e ouço a rapunzel confirmando. Dou um beijo na cabeça da Lorena e fico fazendo carinho por alguns minutos até ela levantar, enxugar o rosto e me olhar.
— Por que minha vida é assim? — ela me pergunta e eu deslizo uma mecha de cabelo loiro pra trás da orelha dela — porra — ela xinga, bufando e tentando recuperar o folego.
— Bora pra casa — levanto e seguro ela pra levantar também.
Porra, tenho pergunta pra caralho pra fazer pra essa mulher, porque conhecendo o Capitao agora, consigo até imaginar o que ela passou na mao dele, mas to ligado que esse nao é o moemnto de pressionar a Lorena.
Saímos da viela e os menor olham pra minha cara, esperando algum comando meu pra passar por cima de quem quer que tenha feito isso com ela. Chamei os dois justamente por isso, são os cria dela.
— To imbicando pra casa — aviso a eles.
— Qualquer parada, só acionar a tropa — Pitbull fala, olhando pra Lorena e eu concordo.
Entro na minha casa poucos minutos depois e subo até o andar de cima, segurando ela pela mão.
Ela senta na cama, fungando com o narizinho vermelho, enquanto se acalma. Eu agacho na frente dela e coloco a mão no seu queixo, pra colocar os olhos dela nos meus.
— Vou encher a banheira pra gente, suave? — pergunto e ela concorda.
Eu levanto e tiro meu celular no bolso, mandando uma mensagem pro Pikachu, avisando que não vou voltar pra boca, qualquer coisa ele resolve.
Ajeito as paradas na banheira e volto pro quarto. Depois de ficar só de cueca, vou até a Lorena e ajudo ela a tirar a blusa e depois o short.
— Te amo — ela diz depois que eu passo a blusa pelo seu pescoço e rosto — obrigada por cuidar tanto de mim.
— É o mínimo, tô fazendo nada que tu já não tenha feito por mim, tá ligado? — passo a minha mão por dentro do cabelo dela — Quero cuidar de você pra sempre e quero tu cuidando de mim pra sempre também, já tô ligado que eu sem tu, fico fraco. Tu é minha fortaleza, sem ko nenhum.
— Você é o bandido mais fofo que eu conheço — ela sorri e eu ganho meu dia, ela tristinha é muito ruim pra mim.
— Sou um bandido apaixonado — dou um selinho na boca vermelha que ela tem — Vou cuidar bem de você, pra te ter pra sempre.
Levo ela até a banheira, com espuma e água quente. Entro primeiro e depois ela entra, sentando no meu colo e encontrando a parte de trás da cabeça entre meu peito e meu ombro.
— Isso tá me lembrando o dia que você encheu a cara — ela diz, dando um sorrisinho de lado.
— Gosto nem de lembrar da ressaca no dia seguinte — passo minha mão molhada na mão dela.
— Tadinho do meu amor, mas pensando agora, foi engraçado — Ela ri e eu sorrio.
Eu tava sofrendo pra caralho, mas foi um dos dias que fez minha paixão por ela multiplicar. Carinho que eu não me lembrava de já ter recebido.
— Tu apontou uma arma pra mim — eu balanço a cabeça, rindo.
— Você tava me irritando com aquela pose de machão bêbado — diz enquanto passa a o dedo nas tatuagens do meu braço.
— Eu sou machão.
— Aham — ela ri, debochada — Vou nem repetir suas palavras naquela noite.
— Se eu não lembro, não fiz — aperto ela perto de mim, passando meus braços na sua cintura.
Só nós dois pra resgatar um ao outro nas situações de merda que a vida coloca a gente.
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nota da autora: qual o capítulo favorito de vocês? eu amo amo amo aquele que o Jogador fica bêbado.
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Sonho dos crias [M]
FanfictionE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
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