Capítulo 104 — Lorena
Com uma mão puxo a barra do meu vestido pra baixo e com a outra tomo um gole de redbull com vodka. O baile tá lotado, nem eu imaginava que teria tanta gente.
Queria que fosse na Penha, pra irritar mais o Capitão e inaugurar meu comando, mas o Alemão já tava com estrutura pronta pra ter baile hoje e resolvi esperar o Dedé sair do privado, não faz sentido comemorar sem ele. Então fechei uma parceria nas drogas, divulgação e atrações com o Jogador.
A galera da Penha colou em peso. Nessa última semana, muitos me pararam na rua pra dizer que tavam feliz com a minha volta, porque sabem que vai ter prosperidade e segurança pra comunidade.
— Tá lindão esse baile, ein — Cecília para do meu lado, jogando pra frente as trancinhas mais lindas do mundo.
— Ficou bom mesmo, né? — sorrio, olhando a multidão lá embaixo.
— União sinistra, tenta peitar, porra — faz cara de braba e eu solto uma gargalhada. toda bandidona, quem diria...
— Te amo. Eu não falo muito, mas você é um chuchu que colhi na vida — abraço ela de ladinho, colando nossas bochechas.
— Meu Deus. A impiedosa Princesa da Penha acaba de se declarar pra melhor amiga — ela dança no ritmo da música e eu acompanho ela.
Apoio o pulso no joelho, com cuidado para não derrubar o líquido do copo e robolo junto com ela. A outra mão, passo no meu cabelo, jogando ele pra um lado só, tirando do rosto, porque o corte mais curto faz ficar batendo no meu rosto.
Eu não lembrava a última vez que dancei assim, do jeito que eu amo. Só um funkzinho gostoso que faz eu esquecer que preciso ser posturada 95% do tempo.
(...)
Me encosto na grade do camarote após o show do Poze. Kemilly tá do meu lado chupando um pirulito, enquanto Chocolate e Pretinho conversam no outro canto, junto de Cecília e Leão.
— Já botou gelo nessa mão aí? — pergunto pra Kemilly que segura o copo com a mão arrebentada.
Ela foi das 5 da manhã até o meio dia arrebentando a Samira na porrada. Ela tem uma disposição pra porradaria que eu nunca vi, bati nela ontem e meu corpo todo tá dolorido.
— Tá doendo não — ela chupa o pirulito — Dei foi é muita madeirada naquela filha da puta, não sei como tá viva ainda.
— Prova viva que vaso ruim não quebra — pego o copo dela e foi um gole, devolvendo depois — Bota gelo, bebezinha.
Passo o olho pelo camarote, Pikachu também chegou e tá numa rodinha com Coreano e Digão, os dois são pior que arroz de festa, não perdem uma. O jogador tá ali com eles, mas um pouco mais afastado.
Estreito os olhos ao notar uma menina falar alguma coisa perto do ouvido dele, fazendo ele rir. Minha testa franze automaticamente.
Ela passa a unha no pescoço dele e depois as mãos no cordão, sorrindo igual uma puta.
Presto atenção no cabelão platinado até metade das costas quando ela caminha próximo à grade, na outra ponta do camarote, entregando um copo com bebida pra uma morena de vestido rosa. As duas riem, tiram selfie e dançam, cheias de moral.
— Tão se achando as donas do lugar — Kemilly faz careta, dando voz pro meu ranço.
A Barbie do Paraguai dança, pagando calcinha na direção do Jogador. Ceninha ridícula.
— Tu parece um diabinho no meu ouvido — falo pra Kemilly, encarando o Jogador, que divide a atenção entre a conversa com os amigos e a situação que envolve eu e a mocréia. Já percebeu que eu não paro de encarar elas — Tá faltando pouquinho pra eu me estressar.
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Sonho dos crias [M]
FanfictionE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
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