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Os últimos cinco dias pareciam uma eternidade sem Marina. A rotina no time estava lá, preenchendo o vazio com treinos, conversas e risadas ocasionais, mas nada substituía a presença dela. Marina era o tipo de pessoa que, sem esforço, iluminava o ambiente. A ausência dela deixava um buraco no peito que nenhuma piada de Gabi, os conselhos de Bella ou as brincadeiras de Martyna conseguiam preencher.
Enquanto calçava os tênis no vestiário, ouvi risadas ao fundo. Eram elas, minhas companheiras de time, sempre tentando me animar. Gabi, com sua energia contagiante, se aproximou e sentou ao meu lado.
— Sabe, você não tá sozinha nisso. A gente tá aqui, viu? — Ela disse, com um sorriso sincero.
Martyna, sempre direta, interrompeu:
— Se você não quer falar, tá tudo bem, mas, olha, ficar se martirizando por ela não vai adiantar. Marina é cabeça-dura. Todo mundo sabe disso. Talvez ela só precise de um tempo pra entender as coisas.
— A Martyna tem razão, mesmo que de um jeito... peculiar — Bella completou, sentando no chão em frente a mim. — Vocês ainda têm uma conexão, dá pra ver de longe. Só não se apresse. Às vezes, as pessoas precisam se perder pra perceber o que tinham.
Eu apenas balancei a cabeça, tentando absorver as palavras delas. Mas como explicar que, mesmo com o coração partido, eu ainda era grata por Marina? Que, por mais que doesse, eu respeitava a decisão dela porque amá-la era maior do que qualquer orgulho que eu pudesse ter?
Na quadra, Marina estava lá, do outro lado. Os treinos seguiam como sempre, mas nossos olhares se cruzavam ocasionalmente. E, em cada olhar, parecia haver um milhão de coisas que queríamos dizer, mas não podíamos.
Após o treino, enquanto as meninas guardavam os equipamentos, senti uma presença atrás de mim. Quando me virei, lá estava Marina, segurando o braço, claramente nervosa.
— Ei... você tem um minuto? — Ela perguntou, com a voz suave que eu conhecia tão bem.
Meu coração acelerou, mas eu mantive a compostura.
— Claro.
Fomos para um canto mais afastado. Ela respirou fundo antes de falar:
— Eu... eu não sei se fiz a coisa certa. Esses dias sem você... têm sido um inferno. Eu pensei que me afastar era o melhor, mas acho que cometi um erro.
Eu fiquei em silêncio, deixando que ela desabafasse.
— Eu só... tenho medo de te machucar. Você é a melhor pessoa que já entrou na minha vida, e eu não queria estragar isso. Mas percebi que, mesmo tentando proteger você, eu só estava machucando a gente.
As palavras dela me atingiram como uma onda. Eu queria abraçá-la, dizer que tudo ficaria bem, mas respirei fundo antes de responder.
— Marina, eu respeito o que você sente, mas amor não é perfeito. É sobre enfrentar as coisas juntos, mesmo com os medos. Eu ainda te amo, mas precisamos decidir isso juntas. Não adianta eu lutar por nós duas sozinha.
Ela assentiu, com lágrimas nos olhos.
— Você tem razão. Me desculpa. Eu só quero uma chance de fazer as coisas darem certo... com você.
Um pequeno sorriso surgiu nos meus lábios, e sem pensar duas vezes, a puxei para um abraço. Talvez ainda houvesse um longo caminho pela frente, mas, naquele momento, saber que Marina estava disposta a tentar já era o suficiente.
Era engraçado como éramos opostas em tantas coisas, mas isso só nos fazia combinar ainda mais. Eu sempre fui mais impulsiva, cheia de energia e com respostas rápidas na ponta da língua, enquanto Marina era calma, ponderada, com aquele jeito sereno que me desmontava. E apesar de nossas diferenças, era como se fôssemos peças de um quebra-cabeça feitas para se encaixar.
