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Depois de passarmos a virada na praia, ficamos mais um dia aproveitando aquele paraíso. Mas, como tudo, nosso momento teve que chegar ao fim, e era hora de voltar pra casa. No caminho de volta, enquanto eu dirigia, Myra estava sentada no banco do carona, com aquele olhar de quem queria dizer algo, mas estava enrolando para começar.
— Amor... — ela finalmente quebrou o silêncio, virando-se para mim.
— O que foi, minha atriz favorita? — perguntei, lançando um sorriso rápido enquanto mantinha os olhos na estrada.
Ela suspirou, cruzando os braços e fazendo uma cara de leve drama.
— Vou sentir tanta saudade de você nesses dias.
Olhei para ela por um segundo antes de voltar a atenção para a estrada, mas não consegui conter o sorriso.
— É só uma viagem, amor. Vai visitar seus pais, matar a saudade deles... E eu vou estar aqui, esperando por você.
Ela fez um biquinho, aquele que sabia que me desarmava.
— Mas eu não quero ficar longe de você, S/N. Você já virou minha casa, sabia?
Meu coração apertou. Ela sempre sabia o que dizer para me fazer sentir a pessoa mais amada do mundo. Levei minha mão até a dela, que estava descansando sobre o banco, e a segurei firme.
— E você é minha casa também, Myra. Mas, às vezes, a gente precisa de um tempo pra recarregar, estar com quem a gente ama de outras formas, sabe? Seus pais sentem falta de você. E eu vou estar aqui, com saudades, mas te esperando com o maior sorriso quando você voltar.
Ela sorriu de lado, ainda um pouco manhosa, mas concordou com um aceno de cabeça.
— Promete me ligar todo dia?
— Todo dia, toda hora, se você quiser. — respondi, rindo.
Ela riu também, apertando minha mão antes de voltar a olhar pela janela. A viagem continuou tranquila, mas, no fundo, eu sabia que sentiria a falta dela tanto quanto ela sentiria de mim. Nosso amor era assim: tão forte que até os dias separados pareciam mais longos do que realmente eram. Mas, ao mesmo tempo, era exatamente isso que nos fazia valorizar cada segundo juntas.
Assim que chegamos em casa, Myra foi direto para o quarto pegar a mala que já estava pronta. Enquanto ela fazia isso, fiquei parada na sala por alguns segundos, absorvendo o silêncio que logo tomaria conta daquele espaço sem ela. Era engraçado como a ausência dela já começava a fazer falta antes mesmo dela partir.
Ela voltou com a mala, arrastando-a com um sorriso meio tímido, como se sentisse o mesmo que eu.
— Tudo pronto. — disse, parando perto da porta.
— Tem certeza de que não esqueceu nada? — perguntei, tentando ganhar alguns segundos a mais com ela.
— Só você. — respondeu, me lançando aquele sorriso que me desmontava.
Eu suspirei, fingindo um pequeno drama enquanto pegava as chaves do carro.
— E agora quem vai me desmontar com essas respostas?
Ela riu, aproximando-se e segurando meu rosto entre as mãos.
— É só por alguns dias, meu amor. E quando eu voltar, eu vou te desmontar ainda mais, tá bom?
— Vou cobrar isso. — respondi, antes de roubar um beijo rápido.
Com a mala no porta-malas, entramos no carro. O caminho para o aeroporto foi cheio de conversas e risadas, mas, no fundo, eu sentia aquele aperto no peito. Não era a primeira vez que ficávamos separadas por uns dias, mas a saudade sempre doía.
