Gabi Guimarães

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Era difícil entender como as coisas tinham chegado àquele ponto. Seis meses de um relacionamento escondido, equilibrando o carinho e os desafios, e agora Gabi estava terminando. Ela parecia decidida, mas seu olhar denunciava a dor de suas próprias palavras.

Eu estava sentada na poltrona do quarto de hotel, encarando o chão, enquanto Gabi explicava suas razões.

Eu só acho que está ficando complicado. Sou a capitã, e você é neta do Zé. Eu não quero que isso interfira em nada no time, na minha posição... Ou na sua. — Sua voz era firme, mas eu percebia o tom hesitante.

As palavras ecoavam na minha mente como um trovão. Não fazia sentido. Por que só agora? Por que depois de tanto tempo? Antes que eu pudesse responder, uma lágrima solitária desceu pelo meu rosto. Eu sabia que insistir seria inútil.

Me levantei devagar, tentando manter a compostura, mesmo que meu coração estivesse em pedaços. Respirei fundo e, com a voz baixa, falei:

Eu entendo... Desejo tudo de bom pra você, Gabi. De verdade.

Ela parecia surpresa com minha resposta, talvez esperasse uma discussão ou uma tentativa de convencê-la. Mas eu estava exausta. Apenas queria sair dali antes que meu orgulho fosse completamente destruído.

Caminhei até a porta sem olhar para trás, enquanto ela permanecia sentada na cama, talvez pensando em dizer algo, talvez não. Assim que fechei a porta, a máscara que eu havia segurado caiu. Meu peito parecia apertado, como se mal conseguisse respirar.

Atravessei o corredor com passos rápidos, tentando chegar ao meu quarto antes que alguém me visse assim. Mas o destino parecia querer me testar. Assim que virei o corredor, dei de cara com Rosamaria, que estava voltando de um treino extra. Seus olhos captaram o estado do meu rosto em um segundo.

O que aconteceu? — ela perguntou, segurando meu braço gentilmente.

Tentei sorrir, mas era impossível. A voz saiu fraca:

Nada... Só preciso de um tempo sozinha, Rosa.

Mas ela não parecia disposta a me deixar partir tão fácil. Rosa sempre teve um jeito calmo e cuidadoso, e, mesmo sem saber o que tinha acontecido, ela parecia determinada a não me deixar afundar naquela dor.

Vem comigo — disse ela, puxando-me na direção contrária.

Sem forças para protestar, deixei que ela me guiasse. Talvez, só talvez, eu precisasse mesmo de alguém naquele momento.

Depois de sair com Rosamaria, minha mente parecia um turbilhão. A dor do término com Gabi ainda era recente, mas, pior que isso, era o peso de tudo o que eu carregava. Estar na seleção já era difícil por si só. Eu sabia que muitos acreditavam que eu só estava ali por causa do meu avô, o técnico José Roberto Guimarães. Cada jogo, cada treino, cada falha parecia uma prova para justificar meu lugar. E agora, isso.

Rosamaria permanecia ao meu lado em silêncio, respeitando o espaço que eu precisava para pensar. Ela sempre teve esse jeito observador, como se soubesse que as palavras certas nem sempre eram ditas, mas sentidas. Enquanto caminhávamos pelas ruas iluminadas de uma cidade que parecia indiferente à minha dor, eu não conseguia evitar o pensamento sufocante: "Talvez eu não pertença a esse lugar. Talvez eu esteja aqui por algo que não tem a ver comigo."

Paramos em um ponto qualquer, longe do hotel. A brisa da noite era fria, mas eu não sentia nada além do nó no peito. Finalmente, olhei para Rosa. Ela estava me observando com aquele olhar que parecia enxergar até os pensamentos que eu não queria admitir.

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