Camila Brait

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Pedido: bergmann_

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S/N narrando

Todo dia, no mesmo horário, eu estava lá. A janela do meu quarto virou o ponto mais estratégico da casa. Era sempre depois do treino que minha vizinha Camila Brait aparecia na janela dela. Jogadora de vôlei, uma das melhores líberos do mundo e, para minha completa frustração, casada.

Mas isso não me impedia de observar. Não era algo planejado — ou pelo menos foi o que eu disse a mim mesma no começo. A verdade é que, assim que percebi esse hábito dela, o meu se criou naturalmente. Ela chegava, provavelmente exausta do treino, mas ainda com aquele sorriso suave no rosto. Ficava ali, tomando um vento, mexendo no celular e, às vezes, olhando para o nada.

E eu? Eu ficava disfarçadamente encostada na minha janela, fingindo estar apreciando a paisagem ou mexendo no meu próprio celular, mas na verdade, meus olhos estavam fixos nela. Era impossível não notar como os raios do pôr do sol realçavam seus traços. Era quase poético, como se o universo quisesse conspirar contra mim, me mostrando o quanto ela era linda.

"Ela nunca vai notar você, S/N," eu dizia a mim mesma, como se fosse uma forma de me punir por esse pequeno momento de ilusão que vivia todos os dias. Ela estava em um outro mundo, com uma vida própria, um marido, uma carreira brilhante. E eu? Eu estava aqui, criando desculpas para continuar olhando.

Hoje não foi diferente. Às 18h30, lá estava ela, com os cabelos ainda um pouco molhados, provavelmente de um banho rápido depois do treino. Usava uma camiseta larga do time dela e shorts, simples, mas nela, tudo parecia especial. Ela se apoiou no parapeito da janela, respirando fundo. Por um momento, achei que seus olhos tinham cruzado com os meus, e meu coração deu um salto.

Disfarcei, fingindo olhar para o céu. Meu Deus, S/N, você é uma completa idiota. Mas mesmo assim, continuei ali, como sempre. Observando de longe, me contentando com a pequena alegria de tê-la tão perto, ainda que inalcançável.

Ela ficou mais alguns minutos na janela, os dedos deslizando pelo celular. Às vezes, Camila soltava um pequeno sorriso para algo que via na tela, e eu me pegava sorrindo junto, como uma boba. Era um reflexo, uma reação involuntária. Quase como se, por algum motivo absurdo, aquele sorriso também fosse pra mim.

Mas hoje algo estava diferente. Camila se virou para dentro da casa, talvez ouvindo alguém chamá-la. Quando voltou, ela segurava uma caneca de chá e, pela primeira vez, parecia estar olhando diretamente na minha direção.

Eu congelei. Será que ela percebeu? Será que esses dias todos eu fui mais óbvia do que pensava? Meu coração estava disparado, e, mesmo assim, eu não conseguia me mover. Se eu saísse da janela agora, estaria confirmando a culpa. Mas ficar também era arriscado.

Camila inclinou a cabeça levemente, como se estivesse tentando entender o que eu fazia ali. Então, para minha completa surpresa, ela levantou a mão e acenou.

Acenou.

Eu não sabia o que fazer. Meu corpo reagiu antes de mim, e, como uma idiota total, acenei de volta, um gesto curto e desajeitado. Meu rosto já devia estar queimando de vergonha, mas eu tentei manter a compostura.

Ela riu. Uma risada suave, quase como se achasse graça da minha reação. Depois tomou um gole do chá e voltou a mexer no celular, mas com uma expressão diferente. Como se estivesse ciente de que eu ainda estava ali.

Meu Deus, S/N, o que foi isso? Ela percebeu você olhando, acenou e ainda riu da sua cara. Meu cérebro estava a mil, criando cenários improváveis. Será que ela comentou com o marido? Será que me achou uma stalker esquisita?

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