Pedido: RefugiothePhantoms
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Eu estava sentada no meu carro, estacionado em frente ao local que já foi meu trabalho. Um misto de raiva e frustração dominava meu peito. Trabalhar como produtora musical sempre foi minha paixão, mas uma mentira cruel de uma atriz mudou tudo. Apenas porque eu não aceitei sair com ela, perdi meu emprego. Era injusto. Era revoltante. Mas agora, não havia muito o que fazer.
Decidi que era hora de voltar para o meu apartamento e tentar reorganizar a minha vida. Coloquei o cinto de segurança e liguei o carro. Foi então que, pelo retrovisor, vi uma mulher correndo pela calçada. Ela parecia desesperada, e não demorou para que uma boa quantidade de paparazzis aparecesse logo atrás dela. Seus flashes iluminavam a rua como se fosse uma cena de perseguição de filme.
Não sei o que me deu, mas instintivamente abaixei o vidro e gritei:
— Ei, entra aqui! Rápido!
A mulher não pensou duas vezes. Ela abriu a porta e entrou no carro como se sua vida dependesse disso. Assim que ela fechou a porta, acelerei, deixando os paparazzis para trás. Meu coração estava disparado, mas ao menos parecia que havíamos escapado.
— Obrigada… — ela começou a dizer, mas parou quando me olhou. Ao mesmo tempo, eu também a olhei. Quando tirou o capuz da blusa, eu percebi quem era.
Era Lizeth Selene, a atriz que estava em todos os holofotes nos últimos meses devido a série em que ela participa Rebeldes. Ela era ainda mais bonita pessoalmente, com aquele olhar marcante e cabelos desarrumados de um jeito que só a deixavam mais encantadora.
Minha mente deu um nó por alguns segundos. Justo hoje, no dia em que eu estava cheia de rancor contra uma atriz, a vida coloca outra no meu caminho. Ainda assim, engoli em seco e mantive a calma.
— Você está bem? — perguntei, tentando soar tranquila.
— Agora estou, graças a você. — Ela respirou fundo, aliviada, antes de me encarar novamente. — Você nem me conhece. Por que me ajudou?
Eu dei de ombros, mantendo os olhos na estrada.
— Você parecia precisar.
Ela riu de leve, e havia algo naquela risada que me desarmou. Talvez fosse o cansaço ou o meu dia desastroso, mas de repente a tensão começou a se dissipar.
— Para onde você quer ir? — perguntei, tentando não parecer curiosa sobre o que acabara de acontecer.
— Qualquer lugar que não seja cheio de câmeras apontadas para mim, — ela respondeu com um suspiro.
Assenti e, sem pensar muito, dirigi até um parque afastado da cidade. Quando estacionamos, ela olhou para mim com um brilho nos olhos que eu não soube interpretar.
— Obrigada de novo. Não faço ideia do que teria acontecido se você não tivesse parado, — ela disse.
— Não precisa agradecer. Acho que foi o reflexo, — respondi, soltando um leve sorriso.
Mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, ela se inclinou para mim.
— Você tem um nome? Ou eu devo chamar você de "salvadora misteriosa"?
Senti meu rosto esquentar. Ela tinha um jeito que era impossível de ignorar.
— É S/N, — respondi, tentando parecer casual.
Selene sorriu, e era o tipo de sorriso que poderia causar um caos ainda maior do que os paparazzis que a perseguiam.
— Bem, S/N, acho que devo minha noite a você. Quem sabe, podemos torná-la menos complicada?
E foi ali que percebi: talvez aquele dia desastroso estivesse longe de acabar, mas agora, ele tinha um tom completamente inesperado.
Eu encarei Lizeth por alguns segundos, tentando processar o que ela havia dito. "Tornar a noite menos complicada?" O que exatamente ela queria dizer com isso?
