Alessia Orro

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Ponto de Vista de S/N

Minha irmã, Gabriela Guimarães, ou simplesmente Gabi, como todos a conhecem, é meu maior orgulho. Desde pequena, eu a via brilhar nas quadras de vôlei e sabia que ela era especial. Ela sempre foi meu exemplo, minha inspiração para nunca desistir dos meus sonhos, mesmo quando tudo parecia desmoronar.

Mas, ao contrário dela, escolhi um caminho diferente. Enquanto Gabi fazia história no vôlei, eu corria atrás de uma bola em outro campo: o do futebol. Hoje, sou jogadora do Atlético Mineiro, mas o momento não é dos melhores. Nosso time foi rebaixado para a série B, e o peso dessa queda não é fácil de carregar. É como se cada derrota fosse uma faca cravada no meu peito.

Desde o rebaixamento, Gabi tem insistido para que eu largue o futebol e volte para o vôlei. Segundo ela, ainda há tempo para recomeçar. E, de fato, ela tem um argumento forte: eu também tenho talento para o vôlei. Sempre tive. Afinal, fui treinada por ninguém menos que a própria Gabi.

S/N, você sabe que tem potencial. Sempre teve! — ela diz em quase todas as nossas conversas. — Por que insistir em algo que só te machuca?

Eu não nego. O vôlei sempre foi parte da minha vida. Quando éramos mais novas, Gabi me levava para os treinos dela e, nos intervalos, me ensinava os fundamentos. Ela era paciente, dedicada, e, com o tempo, eu comecei a me destacar. Muitos diziam que eu tinha tudo para seguir os passos dela. Mas, no fundo, meu coração sempre bateu mais forte pelo futebol.

Agora, com minha carreira no futebol em um momento crítico, eu começo a me questionar se não deveria mesmo considerar a ideia da Gabi. Eu amo o futebol, mas talvez o vôlei pudesse me oferecer uma segunda chance.

Não é sobre abandonar seus sonhos, S/N — Gabi disse outro dia, enquanto estávamos no sofá da casa dos nossos pais. — É sobre reconhecer quando um caminho não está te levando aonde você quer chegar e ter coragem para tentar outro.

Essas palavras ficaram ecoando na minha cabeça por dias. E se Gabi estiver certa? E se o vôlei for meu verdadeiro lugar?

Decidi que precisava de tempo para pensar. Peguei uma bola de vôlei que Gabi havia me dado há anos e fui até a quadra onde costumávamos treinar juntas. Toquei na bola, senti o peso familiar e, de repente, era como se eu tivesse voltado no tempo, à época em que jogar vôlei era algo natural, quase instintivo.

Talvez... Talvez valha a pena tentar mais uma vez.

Naquela noite, liguei para Gabi.

Tá bom, mana. Vamos tentar. — A voz dela transbordava felicidade.

Não sei onde isso vai dar, mas sei de uma coisa: com Gabi ao meu lado, estou disposta a descobrir.

Mais tarde a Gabi me ligou, eu não fazia ideia da bomba que ela estava prestes a soltar. Ela começou com aquele tom casual, mas eu logo percebi que tinha algo especial vindo.

S/N, conversei com o técnico Marcão do Dentil Praia Clube. Ele disse que você pode fazer um teste amanhã.

Por alguns segundos, fiquei em silêncio, achando que tinha ouvido errado.

O quê? Você tá falando sério, Gabi?

Totalmente sério! Ele viu alguns vídeos seus jogando e quer te ver pessoalmente.

Meu coração disparou. Eu, S/N Guimarães, teria a chance de treinar com o Dentil Praia Clube, o time que sempre admirei e pelo qual torço no vôlei. Mas o mais surreal era que eu teria a chance de jogar ao lado das minhas ídolas, Macris e Carol Gattaz.

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