Flávia Saraiva

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S/N G!P

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Eu estava relaxando na cama, mexendo no celular, quando S/N se aproximou com aquela carinha travessa. Sentou do meu lado, e antes mesmo de falar, eu já sabia que vinha alguma ideia maluca. "Amor, vamos fazer um filho", ela disse de repente. Na hora, levantei o olhar, com a sobrancelha arqueada. “S/N, você tá louca? Eu sou ginasta! Esqueceu que não posso ter uma gravidez no meio de tudo isso?

Ela parecia bem tranquila, o que só me deixou mais confusa. “Amor, você só vai carregar o nosso neném. Quando ele nascer e não depender mais de você, eu prometo que cuido de tudo, e você pode voltar pra ginástica sem problemas.

Fiquei sem saber o que dizer. A ideia era doce, até tocante, mas ao mesmo tempo... Impossível. O que ela estava pensando? Eu estava no auge da minha carreira, com competições importantes pela frente. Simplesmente voltei a mexer no celular, sem dar muita atenção, porque não queria discutir. Mas ela sentiu meu silêncio, e de repente, se virou na cama, de costas para mim, sem falar mais nada.

Fiquei ali, olhando para ela, me sentindo culpada por não responder direito, mas também sem saber como fazer ela entender que agora não era o momento. Eu a amava tanto, mas a ginástica fazia parte de quem eu era. Como explicar isso sem machucá-la?

Fiquei ali por alguns minutos, observando a maneira como ela se virou, o silêncio pesado preenchendo o quarto. Aquilo estava me incomodando. Não queria que S/N pensasse que eu estava rejeitando a ideia por completo, só precisava que ela entendesse minhas prioridades no momento. Eu a amava demais para deixá-la se sentir mal por isso.

Suspirei, largando o celular de lado, e me aproximei dela, tentando tocar de leve seu ombro. “Amor, me escuta... Não é que eu não quero. É que—

Antes que eu pudesse terminar, ela me cortou, a voz baixa e cansada. “Flávia, eu entendo. De verdade. Sei que sua carreira é importante, e que essa foi só uma ideia maluca da minha cabeça. Não precisa se preocupar com isso. Só… esquece, tá? Vou dormir. Tô me sentindo cansada.

Aquilo me quebrou por dentro. A forma como ela falou, tão simples, como se não fosse nada, mas eu sabia que ela estava chateada. Queria dizer que a ideia não era maluca, que pensar em formar uma família com ela era algo que também me tocava. Mas eu também sabia que agora não era o momento.

Fiquei olhando para ela por alguns segundos, pensando em mil maneiras de resolver aquilo, mas no final, só me deitei ao lado dela, me aproximando lentamente. Toquei suas costas com carinho, tentando transmitir meu amor sem palavras. Ela estava cansada, e talvez, amanhã, pudéssemos conversar melhor sobre isso.

S/N sempre foi a pessoa mais compreensível que eu conheci. Nos últimos cinco anos, ela sempre esteve ao meu lado, aceitando minhas decisões, mesmo quando sabia que elas a incomodavam. Nosso relacionamento nunca foi assumido publicamente, e até hoje eu nem consigo explicar o porquê. Não é como se eu tivesse vergonha dela, longe disso. Eu a amo mais do que qualquer coisa nesse mundo. Mas... simplesmente não consigo me abrir dessa maneira com o público.

Sei que isso a magoa, e que, com o tempo, deve ter se tornado uma ferida difícil de ignorar. Às vezes, vejo em seus olhos aquele brilho de frustração, especialmente quando estamos juntas em eventos e ela tem que manter o papel de amiga próxima. Isso não é justo com ela, e eu sei disso. Só que minha vida, minha carreira... são tantas coisas envolvidas, e me sinto pressionada a manter as aparências.

Enquanto ela estava deitada, de costas para mim, tentando dormir, eu voltei a mexer no celular, sentindo o peso da culpa. Queria dizer que entendo seus sentimentos, que também me machuca mantê-la escondida assim, mas as palavras simplesmente não saem. Então, deixei ela quieta, tentando evitar mais uma conversa dolorosa. Talvez eu esteja sendo covarde, mas... nesse momento, não sei o que fazer.

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