---
Eu estava deitada de bruços na cama, com o livro apoiado entre as mãos, absorta em cada palavra. Era meu momento de relaxar, algo raro entre os dias corridos de acompanhar os treinos e jogos do Conegliano como fotógrafa do time. O barulho do secador no banheiro havia cessado há alguns minutos, e logo Marina saiu.
Ela estava linda, como sempre, com o uniforme do treino impecavelmente ajustado ao corpo. Marina tinha essa maneira de chamar atenção sem esforço algum. Quando seus olhos encontraram os meus, ela deu aquele sorriso que sempre derretia meu coração.
Ela caminhou até mim e ficou ali, em silêncio, me olhando. Eu levantei, fechei meu livro e, com um impulso, pulei no colo dela. Minhas mãos seguraram sua nuca enquanto nossos lábios se encontraram. O beijo foi terno e cheio de carinho, como se eu quisesse passar toda a energia que ela precisaria para o treino.
“Bom treino, amor. Arrasa lá,” murmurei contra seus lábios.
“Eu te amo, S/N,” ela respondeu, com uma doçura que fazia meu coração bater mais forte.
Depois de mais um breve beijo, ela saiu, fechando a porta atrás de si. O silêncio se instalou no apartamento, mas não por muito tempo. Após alguns minutos, senti sede e me levantei, caminhando até a cozinha.
Enquanto enchia um copo de água, ouvi passos e, ao me virar, dei de cara com Ekaterina Antropova, a melhor amiga de Marina. Não era incomum ela aparecer por aqui, mas o jeito que ela me olhava naquela tarde... Algo estava diferente.
“Oi, Katerina. Tudo bem?” perguntei, tentando soar casual, mas minha voz saiu um pouco hesitante.
Sem responder, ela deu dois passos largos até mim, me encurralando contra a parede. Meu coração começou a bater mais rápido, e minha mente se dividia entre confusão e uma estranha sensação de alerta.
“Ekaterina, o que você está fazendo?” minha voz saiu num sussurro, enquanto seus olhos se fixavam nos meus.
“Você sabe o que está fazendo, S/N?” ela perguntou, sua voz baixa, mas carregada de algo que eu não conseguia identificar.
Minhas mãos tremiam levemente enquanto tentava processar a situação. Era a melhor amiga da minha namorada. Marina confiava nela. E eu... eu estava completamente sem reação.
O ar entre mim e Ekaterina parecia pesado, quase palpável. Sua proximidade me deixava inquieta, mas não era a primeira vez que me sentia assim com ela. Havia algo em Kate que me tirava do eixo, algo que eu não conseguia ignorar, por mais que quisesse.
Há algumas semanas, ela tinha confessado que sentia algo por mim. Eu fiquei em choque, sem saber como reagir. Kate sempre foi intensa, mas ouvir isso de sua boca mudou tudo. Desde então, cada interação entre nós parecia carregada de algo mais, algo que eu não conseguia controlar.
"Kate... por favor," minha voz saiu em um sussurro trêmulo. Eu tentava parecer firme, mas o jeito como ela me olhava fazia minhas palavras soarem fracas.
Ela inclinou a cabeça, um sorriso mínimo dançando em seus lábios. "Você nunca diz para eu parar de verdade, S/N."
Era verdade. Sempre que ela se aproximava, eu sentia minhas barreiras desmoronarem. Era como se a força que eu tinha ao lado de Marina não existisse quando Kate estava por perto. Ela tinha um poder sobre mim que eu odiava admitir, porque era exatamente o mesmo poder que Marina tinha: o de me deixar fraca.
"Isso é errado," murmurei, quase para mim mesma, tentando me convencer. Mas meu corpo não reagia como eu queria. Eu estava presa, não apenas contra a parede, mas na confusão dos meus próprios sentimentos.
