---
Cheguei em casa correndo, o coração batendo acelerado, como se quisesse pular do meu peito. Tentei chamar minha mãe na sala, mas ela não respondeu. Fui até a cozinha, depois olhei na varanda, mas nada. Subi correndo as escadas em direção ao quarto dela, e sem nem pensar em bater na porta, já fui abrindo, cheia de entusiasmo.
— Mãe, mamãe! — gritei, sem perceber que ela estava deitada.
Minha mãe, Carol Gattaz, acordou assustada. Ela olhou pra mim com os olhos arregalados, a mão no peito, tentando se recompor.
— Misericórdia, S/N! Quer me matar do coração? — disse, a voz meio rouca de sono.
Na hora fiquei morrendo de vergonha. Fiz uma careta meio culpada e cocei a nuca.
— Desculpa, mãe! Eu cheguei tão empolgada que nem percebi que a senhora tava dormindo...
Ela soltou um riso leve, balançando a cabeça como quem não acredita no que está ouvindo, e estendeu a mão pra mim.
— Vem cá, menina. Não tem problema. Mas agora me conta logo o motivo de tanta empolgação! — disse, me puxando pra sentar ao lado dela na cama.
Minha animação voltou com força total. Era como se eu estivesse explodindo de alegria e mal conseguisse segurar.
— Mamãe, a Júlia aceitou sair comigo!
Assim que soltei as palavras, senti meu rosto esquentar. Era a primeira vez que eu dizia aquilo em voz alta. A Júlia era uma garota que eu conhecia há meses, mas nunca tinha tido coragem de convidar pra sair. Até hoje.
Minha mãe arregalou os olhos de novo, mas dessa vez com um sorriso enorme no rosto.
— Você tá falando sério? Meu Deus, S/N, que incrível! Mas espera... como foi isso? Como você convidou ela?
Eu ri, porque a curiosidade da minha mãe era tão intensa quanto a minha animação.
— Bom... — comecei, ajeitando uma almofada pra segurar, enquanto explicava. — A gente tava conversando depois do treino. Ela tava me contando sobre o novo livro que começou a ler, e eu... não sei de onde tirei coragem, mas falei: “Eu tava pensando... você gostaria de sair comigo um dia desses? Talvez tomar um café ou jantar?”
Minha mãe me olhava com uma expressão de orgulho e admiração, como se eu tivesse acabado de ganhar uma medalha de ouro.
— E o que ela disse? — perguntou, inclinando-se um pouco pra frente.
— Ela riu e disse que adoraria! — soltei, sentindo meu rosto ficar ainda mais quente.
Minha mãe me puxou pra um abraço apertado.
— Ai, filha, eu tô tão feliz por você! Você merece viver momentos incríveis, e tenho certeza que a Júlia vai adorar conhecer melhor quem você é de verdade.
Eu ri, me sentindo completamente acolhida por aquelas palavras. Minha mãe sempre foi minha maior apoiadora. Mesmo sendo uma jogadora de vôlei conhecida, com uma agenda cheia e muitos compromissos, ela sempre encontrava tempo pra ser minha base, meu porto seguro.
— E agora? Já pensou no que vão fazer? — ela perguntou, soltando o abraço e me olhando com expectativa.
— Ainda não! — admiti. — Eu tava pensando em levar ela pra aquele café charmoso que você me mostrou, sabe? O que tem as luzinhas no jardim.
