Ekaterina Antropova

3.7K 143 27
                                        

Pedido: instatube2

---

Eu nunca achei que seria aquele tipo de pessoa que se muda para uma cidade linda como Firenze e, em vez de aproveitar os museus, a arquitetura histórica e as comidas maravilhosas, passa os dias como uma piada ambulante no escritório. Parece até que nasci com um imã para desastres. Se algo tem 1% de chance de dar errado, eu garanto que faço acontecer.

Hoje foi mais um dia daqueles. Tudo começou com o meu despertador. Coloquei para tocar uma música relaxante, mas parece que relaxei tanto que dormi meia hora a mais. Já saí correndo de casa com um pão na boca – estilo anime, sabe? – e tropecei no meu próprio cadarço. Resultado? Pão na calçada, café no meu cabelo e uma senhora que me olhou como se eu fosse o maior fracasso da humanidade.

Quando finalmente cheguei no escritório, atrasada, o chefe me encarou com aquela cara que dizia "De novo, S/N?" e soltou um suspiro dramático. Eu mal tinha colocado minhas coisas na mesa quando uma colega veio me pedir ajuda com um relatório. Claro, eu topei. E claro, deu ruim. O arquivo que eu mandei estava errado, o e-mail foi para o cliente errado, e agora sou conhecida como "a doida que mandou os números da concorrência para o lado errado". Quem faz isso? Eu, obviamente.

Mas o que mais me dói, o que realmente corta meu coração em pedaços, é que hoje o Savino Del Bene Scandicci tinha um jogo em casa, e eu não pude ir. Minha ídola, Ekaterina Antropova, ia estar lá. A EKATERINA! A mulher que é praticamente um monumento do vôlei. Eu sou apaixonada por ela. Não no sentido romântico – ou talvez um pouco? – mas pelo estilo de jogo dela, pela força, pela precisão. A forma como ela saca? Uma obra de arte. A forma como ela bloqueia? Divina. E eu? Presa no escritório consertando um relatório que eu mesma estraguei.

Sempre sonhei em conhecer a Ekaterina. Desde que me mudei pra Firenze, achei que seria mais fácil. Ela joga aqui, eu trabalho aqui… Mas a realidade é que meu trabalho me consome tanto que não consigo fazer nada além de sobreviver. E sobreviver, no meu caso, já é um desafio.

Durante o almoço, fiquei espiando as redes sociais. Uma colega do escritório postou que estava no jogo. No jogo! Lá, vendo a Ekaterina ao vivo, enquanto eu estava enfiada numa sala sem ar-condicionado tentando salvar minha dignidade profissional. Olhei para a foto dela na quadra, aquele sorriso lindo, os cabelos presos em um rabo de cavalo perfeito. Será que ela sabe que tem uma fã que a admira tanto a ponto de ficar horas vendo highlights dos jogos dela no YouTube? Provavelmente não.

No fim do expediente, já exausta, eu tropecei de novo. Dessa vez, foi na porta do elevador. Meu chefe estava atrás de mim e soltou uma risadinha abafada, como se tivesse pena. É oficial: sou a piada do escritório.

Mas sabe de uma coisa? Mesmo sendo um desastre ambulante, ainda tenho meus sonhos. Ainda quero conhecer a Ekaterina. Ainda vou vê-la jogar, nem que tenha que atravessar Firenze correndo, derrubando cafés e tropeçando em cadarços.

Porque, no fundo, talvez ser um desastre não seja tão ruim assim. Afinal, eu tenho histórias para contar. E quem sabe, um dia, enquanto conto essas histórias, a Ekaterina escute uma delas e pense: "Essa menina desastrada? Eu quero conhecer."

E é isso que me faz continuar. Mesmo quando minha vida parece um show de comédia mal ensaiado, eu tenho esperança de que, no final, tudo vai dar certo. E, se não der, pelo menos vai render boas risadas.

Cheguei em casa completamente esgotada, tropeçando na entrada – para variar. A primeira coisa que ouvi foi o som das patinhas do Biscoito correndo pelo apartamento. Sim, Biscoito. Meu cachorro vira-lata, o único que aguenta minha desgraça diária sem me julgar. Eu trouxe ele do Brasil porque, honestamente, não sei como sobreviveria sem ele.

imagines girlsHistórias para pegar e não largar. Descubra agora