33- Conselhos de Piranha

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Provavelmente nunca havia visto Abigail em um estado tão distante do impecável.

A menina sentada em nossa habitual mesa de esquina da cafeteira Tio Torra arfava cansada, sua pele estava avermelhada, suada e seu cabelo estava bagunçado.

-Você veio pra cá correndo, não é?- lhe indago tomando meu lugar do lado oposto da mesa, ela toma um gole de seu copo de água antes de me responder.

-É óbvio! Você não entende a emoção que uma mulher como se sente quando seu amigo certinho pede conselhos de piranha, meu coração chegou a errar o compasso do rebolado, pois menino, se eu peidar sai purpurina aqui.

-Pela sua animação eu não duvido de nada.- digo, a garota realmente parecia prestes a ter um ataque.

-Mas enfim,- diz então dá um leve pigarro.- Do que o meu anjinho precisa?

-Então, eu preciso de preciso de alguns conselhos sobre... Bem...- dizer aquilo diante de Abigail era bem mais difícil do que fôra pedir sua ajuda por telefone. - Preciso de alguns conselhos sobre sexo.

Minha última palavra sai quase muda na forma de um resmungo, o perfeito oposto do grito que Abigail dá logo em seguida.

-Obrigado Senhor por esse momento.- diz ela levantando as mãos em direção ao céu.- Eu sei que não sou muito disso, mas vou até no próximo culto que aparecer, por que hoje eu sei, milagres acontecem.

-Mas o que é isso?- indago sorrindo.- Estamos trocando os papéis aqui.

-O putão e a santinha.- diz ela se deliciando com a idéia, rimos muito.- Não, eu prefiro pensar que estou te arrastando pro mal caminho, isso soa muito mais... Satisfatório. Mas enfim, vamos ao ponto, o que quer saber?

Abigail põe os braços sobre a mesa e cruza os dedos, naquele momento ela portava como uma mulher de negócios, o que de certa forma era engraçado. Negócios de Luxúria.

-Eu... É complicado.- digo embaraçado.

-Precisa de posições sexuais? Aprender a pôr uma camisinha com a boca? Massagem tântrica? Jogos sexuais? Fetiches? É só falar, eu sou um mar de conhecimento, basta pegar seu barquinho e velejar por ele.- afirma sorridente.

-Eu acho que não dou conta do membro do Heitor.- digo constrangido.

-Como assim Brasil?! É tão grande assim?- questiona curiosa e surpresa.

-É, eu nem consegui pôr metade na boca direito, imagi...- digo mas paro imediatamente ao perceber o erro que havia cometido.- Abigail abre um sorriso gigantesco, podia ver sua alma se contorcendo por dentro de seu corpo.- Ai meu Deus.

-Espere aí, você chupou seu boy magia! Esse momento é meu! Que dia meus amigos, que dia! Ovulei de felicidade aqui.- diz fora de si, agora era oficial, Abigail estava tendo um ataque.

-Está bem, eu assumo, mas por favor, fale mais baixo.- peço escondendo o rosto por detrás do cardápio.

-Ah, me diz uma coisa, cá entre nós, chupar um pau é uma coisa maravilhosa, né?- diz sorrateira fazendo a conversa voltar apenas ao círculo de nossa mesa. Assinto com a cabeça ruborizado.- Mas e o Heitor, devolveu a gentileza?

-Devolveu, e acho que ele é bem melhor nisso do que eu.- digo sem jeito.

-Quem é melhor, isso não importa, nem pra mim e nem pra vocês, além de que foi a sua primeira tentativa. Eu só perguntei pra saber que tipo de homem o Heitor.

-Como assim tipo de homem?- questiono curioso, havia uma tipagem afinal?

-Meu querido Gabriel, se eu te falasse dos tipinhos que eu já tive o desprazer de conhecer, machos que querem um chupada mas que na hora de retribuir vêm com nojinho de chupar a "Bibizinha".- diz apontando para sua intimidade.

-Nossa, que chato isso.- digo imaginando a situação.

-É por isso que eu digo, se o seu homem te retribui o boquete, pode se considerar feliz, se ele for bom nisso e ainda por cima for lindo e dotado então... Não o deixe escapar.

-Eu sei que o Heitor é tudo isso, mas eu gosto dele por outros motivos, a companhia dele me faz bem, eu ficaria com ele mesmo que nunca pudéssemos transar.- digo me lembrando de seu sorriso.

-Ah, o amor.- suspira Abigail segurando o queixo com uma das mãos.- Mas vamos voltar ao nossa assunto, já que por enquanto você quer SIM sentar naquele mastro que deve ser o membro de Heitor.

-Você acha que pode me ajudar?- indago esperançoso.

-Então amigo, sinto informar mas não tem jeito, se é muito grande a coisa que pode fazer e me deixar desbastar o excesso na base da sentada até ficar de um tamanho apropriado pra você.

Ouço horrorizado à sua opção, então ela começa a rir e percebo que tudo não passa de uma piada.

-Ah, pare com isso, eu estou falando sério.- digo um pouco chateado.

-Está bem, vou aproveitar que hoje estou religiosa e te apresentar dois seres de luz maravilhosos.

-Seres de luz?

-Sim, meu anjo, você está prestes a conhecer Nossa Senhora das Preliminares e o Santo Lubrificante.- diz geniosa.

-Isso soou um pouco errado.- argumento.

-Se acha isso é por que não conhece eles ainda, acredite em mim, se está mesmo querendo derrubar alguém do porte de Heitor, é com eles que vai ter que contar.- afirma certa do que dizia.

-Está bem.- digo me rendendo, naquele assunto Abigail era a especialista, ela era a líder daquela igreja, só me restava ajoelhar e seguir seu compasso.

Meu Demônio (Romance Gay)Onde histórias criam vida. Descubra agora