Acordo sobressaltado na manhã seguinte com o som do meu telefone, alguém estava ligando para mim e já suspeitava quem.
Saio de cima do confortável e caloroso corpo de Heitor, ando desajeitado porém apressado na direção da minha mochila, assim que apanho o aparelho atendo a chamada.
-Oi, mãe.- digo um tanto exasperado.
-Bom dia filho, está tudo bem por aí?- indaga.
-Estava...- digo amargo encarando Heitor sentado na cama, sobre seu abdômen o membro do garoto se exibia pela ereção matinal.- Estava dormindo.
Completo a frase tentando nos transparecer minha decepção por sua ligação.
-Ah, certo. Você queria dormir na casa do seu amigo mas acabou sendo obrigado a isso, não é mesmo?- diz se admirando com o acontecido.
-Pois é.- digo desconfortável.
-Mas vamos ao que interessa, já que fez isso, aproveite e convide eles para jantar conosco hoje a noite. Seu pai estará em casa, diga a eles que irei caprichar na comida e também que eu não aceito um Não como resposta, está bem?
O jantar... Naquela noite? Minha mente parecia estar entrando em curto circuito, mesmo tendo aquilo em vista e prometido para Heitor que iria me assumir, acreditava que teria um pouco mais de tempo para me preparar, talvez até o fim de semana pelo menos.
-Filho, ainda está aí?- indaga ela.
-Oi, estou sim, só estava pensando em... Deixa pra lá, eu falo com eles sim, pode deixar.- digo voltando a mim.
-Ótimo, agora vá se preparar, você tem que ir pra escola, até mais tarde.- E com isso minha mãe desliga o telefone.
Ainda sem chão sigo até a cama e me sento perto da quina, Heitor preocupado se aproxima e senta-se ao meu lado.
-O que houve?- indaga preocupado, em seguida beija meu ombro carinhoso.
-Minha mãe quer fazer o tal jantar para vocês essa noite.- explico sem jeito.
-Oh entendi. Você não está preparado, não é mesmo?- observa, relutante assumo com um balanço de cabeça, o garoto então põe sua mão sob meu queixo, vira meu rosto em sua direção e sorri gentilmente.
-Não tem problema, podemos inventar uma desculpa e deixar para outra hora, você não é obrigado a nada, vamos no seu ritmo.- afirma compreensivo, encarando seus olhos conseguia enxergar a verdade, no fundo nunca haveria um momento especial para me assumir, provavelmente não seria fácil, mas não adiantava adiar e o mais importante, eu tinha Heitor ao meu lado.
-Não, vamos fazer isso hoje.- afirmo certo. Ele então põe sua mão sobre a minha, cruza nossos dedos e me beija.
-Juntos.- assente ele.
Depois disso nos vestimos e descemos para tomarmos café, na cozinha a mãe de Heitor nos esperava coando alguma mistura que formava um caldo espesso e verde.
Assim que sentamos a beira da bancada a mulher me entrega um copo cheio daquilo, encaro a mistura desanimado e até mesmo um pouco duvidoso.
-Tome.- ordena ela, não queria ser mal educado porém algo me preocupava naquela poção a minha frente, Heitor percebe e intervém.
-O chá misterioso é só pra ele?- indaga.
-Você deu o cú por acaso?- indaga ela direta, seu filho acena negativamente com a cabeça, a mulher me encara acusadora, sinto meu rosto queimar.- Então é sim só pra ele. Pode ficar tranquilo, não estou tentando matar seu namorado, se quisesse teria feito antes dele ser tão íntimo, pra não te afetar.
A mulher dá de ombros enquanto explica a situação, pouco se importando em falar na minha frente sobre tirar minha vida, pela sua tranquilidade era incapaz de duvidar.
Receoso tomo um primeiro gole da minha bebida, era horrível! Preciso de toda a minha força de vontade para não lhe cuspir, revirando os olhos a mãe de Heitor se vira e segue para um dos armários, aonde pega uma caixa de bombons e me entregando.
-Aqui, coma, vai ajudar.- diz ela, sem jeito apanho o primeiro apressado e dou um mordida, deixando o sabor doce salvar minha boca. -Ah, o velho truque do veneno nós bombons, nunca falha.
A mulher sorria gloriosa, enquanto isso eu atônito lhe encaro, não sabia se ela falava a verdade e devia cuspir, ou se ao menos ainda tinha chances de sobreviver.
-Mãe!- adverte Heitor lhe encarando indignado.
-É brincadeira.- assume ela finalmente da forma mais casual possível.- Pode comer tranquilo.
Com muito custo termino o copo, a mulher depois de algum tempo explica ser um remédio natural que ajudava a cicatrizar e na dor, ainda receoso apenas escuto, Heitor então pigarreia.
-Mãe, a mãe do Gabriel nos convidou para jantarmos na casa dela hoje a noite.- informa ele.
-E por que o próprio Gabriel não faz o convite?- diz ela me encarando questionadora, me encolho na cadeira.
-Não tem importância quem fez o convite, você vai?- pergunta me defendendo.
-Depende, não sei se sou bem-vinda, o anfitrião não me convida.- continua ela me encarando.
-Mãe, pára. É difícil pra ele.- adverte o garoto.
-É mesmo? E por quê?- indaga.
-Por que o Gabriel vai se assumir para os pais dele essa noite.- afirma, nesse momento a mulher dá um passo para trás, mudando completamente seu comportamento.
-Oh querido, isso é verdade?- me questiona preocupada, sem jeito assinto com a cabeça.- Entendo, esse momento é realmente muito difícil.
-É sim, por isso estarei lá para ajudá-lo, e espero poder contar com a sua ajuda também.- cobra Heitor.
-Hum certo, imagino que seja bom ter alguém com um filho na mesma situação para intermediar esse diálogo, muito bem, eu vou.- confirma ela.
Minha vontade era de vomitar, meu corpo tremia com a idéia de nossos pais juntos naquela noite, mas agora era tarde. Heitor põe a mão sobre a minha perna e sorri.
-Vai dar tudo certo.
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Meu Demônio (Romance Gay)
RomanceGabriel prometeu a si mesmo nunca se apaixonar, o que as pessoas diriam se descobrissem que o filho do pastor é gay? Apenas a idéia de prejudicar seu pai o fazia estremecer. O tímido rapaz passa seus dias focado, deixando sua vida de lado enquanto...