[• Corumbá (MS), 2023 •]
A mulher não gostava dessa sensação. A ideia de imaginar que estava sendo perseguida por alguém, a deixava em pânico. Naquela noite, chegou do trabalho e nem quis comer. Tomou um banho rápido e se deitou em sua cama, depois de averiguar piamente se todas as portas de sua casa estavam trancadas. Sabia que seu sossego na cidadezinha, não duraria pra sempre. Mas, não imaginava que sua paz fosse tão passageira. Pensava em muitas possibilidades: Outra cidade do interior, outro estado e até mesmo outro país. Mas, nada conseguia tirar da sua cabeça que Damião voltaria, e que em 5 meses, cumpriria o que prometeu. Agora, ela tinha certeza que não conheceria o filho. Que não o veria crescer. Que não poderia cumprir o que prometeu e que precisaria de ajuda para que o filho estivesse seguro, com alguém de sua inteira confiança. Mesmo assim, diante da mira de uma arma furiosa que clamaria por seu sangue, todos os dias. Ela se perdia em seus pensamentos. E sempre que se entregava a eles, só poderiam levá-la a um único lugar:
[• Nova Primavera (MS), 2013 •]
- Ahhh... Suspirou satisfeita. Não imaginava que essa camisola faria tanto sucesso assim. Gargalhou, enquanto se ajeitava em seus braços. Não posso me esquecer de anotar que preciso comprar outras camisolas dessa cor.
- Não são as camisolas. A fez olhar em seus olhos. É claro que elas ficam lindas em seu corpo, como qualquer outra peça de roupa. Mas, elas não são o que mais me atrai. Declarou. O que me atrai é você, Irene. Você e essa sua capacidade de estar cada dia mais perfeita pra mim. Você e a luxuria de te ter só pra mim.
- Esse amor que eu sinto por você me deixa em chamas. Entregou, enquanto alisava os braços do marido. Cada vez que eu te vejo, sou preenchida por tanto desejo que só quero me entregar cada vez mais pra você.
Ele não respondeu. Não que não quisesse. Mas porque, lhe faltavam palavras capazes de descrever esse momento. Um momento de paz e muita gratidão pelos vinte anos em que estavam juntos e pelos demais que viriam.
- Feliz 20 anos de casados. Sorriu. Eu não poderia estar mais feliz. Alisou seus cabelos enquanto os beijava.
- Que esses anos se multipliquem e que nunca nos falte o mais importante: Essa vontade de estarmos juntos. Todos os dias. Desejou.
[• Corumbá (MS), 2023 •]
Algumas batidas no portão a fizeram retornar ao planeta. Por alguns segundos, havia esquecido completamente do socorro que havia pedido. Só pôde se dar conta de quem era a tal visita, quando alcançou o portão, ainda com medo.
- Ahhh... Luigi. Respirou aliviada. Entra. Entra por favor.
- Perdoe-me, Irene. A abraçou, contente. Io no queria assustar-te. Mas, não posso negar que meu coração pesou-se de alegria quando recebi seu chamado pelo teléfono. Como é bono ver que você está vivada.
- É muito bom te ver também Luigi. Retribuiu o abraço. Senti muito a sua falta. Mas, eu realmente não voltaria mais a entrar em contato com você ou outra pessoa do meu antigo convívio, se não estivesse correndo o maior perigo da minha vida.
- Que se passa Irene? Que perigo é esse que você tanto corre cuestra cidade tan pacata?
- Tem um capanga do Antônio me perseguindo Luigi. Revelou finalmente. Damião, um dos homens mais assustadores que eu já vi. Daqueles que dão arrepios só de olhar. Fechou os olhos, amedrontada. Eu sempre tive medo dele. Nunca me senti à vontade em um ambiente em que ele estivesse, porque ele sempre me faltava com respeito. Mas, eu juro Luigi. Eu juro que o Antônio nunca soube disso.
- O que houve? Se ajeitou no sofá para continuar ouvindo a história.
- Ele me jurou de morte. Disse que Antônio tentou matá-lo por minha causa. Eu já estaria morta se não tivesse feito a ele, a proposta mais difícil da minha vida. Encarou o genro, sentindo-se segura.
- Que acordo? Dinheiro?
- Não. Um tempo. Mais 5 meses de vida.
- 5 meses? O que você pretende fazer em 5 meses Irene?
- Eu tô grávida Luigi. Revelou, enquanto se levantava e mostrava a pequenina barriga ao italiano, que reagia boquiaberto. Eu tô grávida do Antônio há quase 4 meses e esse tempo que eu pedi é o tempo que eu preciso até ter o meu filho e entregá-lo a você e Petra.
- Grávida? Reagiu emocionado. Che bella cosa Irene. O dottor Antonio sarà molto felice di sapere che...
- Não Luigi. Quase gritou. Escuta. Você não pode dizer nada a ninguém. Não pode. Eu preciso da sua ajuda e da sua garantia de que o Antônio nunca saberá desse filho.
- Mas, Irene ele...
- Ele perdeu esse direito quando me jogou pra fora daquela casa, como se eu fosse um objeto voador. Reagiu. Por favor, Luigi, promete que vai criar esse filho, ao lado da Petra, depois que eu não estiver mais aqui. Promete... Pediu, desesperada.
- Ci deve essere un modo, Irene. Ci deve essere un modo perché tu possa avere questo bambino in sicurezza. Andou por todos os lados, antes de tocar sua barriga.
- Não tem. Sacudiu a própria cabeça. Minha única esperança é você Luigi. Implorou. Só você pode salvar o meu filho. Tocou a mão gelada que ainda repousava sobre seu ventre. Só você.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
