Avós

46 6 0
                                        

O sol brilhava forte no céu quando Antônio e Irene chegaram à aldeia dos Guató. O vento soprava suavemente, fazendo as folhas das árvores balançarem, e o som das águas do rio ao longe criava um clima de paz. Depois de tanto sofrimento, aquele lugar parecia um refúgio seguro, e Irene sentiu uma onda de alívio ao pisar ali.

Vamos? — sorriu, enquanto estacionava o carro.

Vamos. — sorriu de volta.

Que foi meu amor? Tá nervosa? — se divertiu. — Nós só vamos pegar a nossa filha.

Tô. Eu tô nervosa, Antônio. — segurou seu braço. — Nem acredito que vou vê-la de novo.

Ao longe, viram Vinícius e Iraê, sentados à sombra de uma grande árvore, enquanto algumas crianças corriam perto deles. E no colo de Iraê, aninhada contra seu peito, estava Aruna. O coração de Irene apertou ao ver sua filha, segura, tranquila, longe do caos que havia deixado para trás.

Vinícius foi o primeiro a se levantar ao vê-los se aproximando. Seu olhar encontrou o de Irene, e por um momento, algo não dito passou entre eles. Iraê se levantou logo depois, com um sorriso caloroso no rosto.

Eu sabia que voltariam logo. — Iraê disse, entregando Aruna nos braços de Irene.

Irene sentiu o cheiro da filha, seu corpinho quente contra o seu, e lágrimas escorreram por seu rosto sem que ela percebesse.

Obrigada. Obrigada por terem cuidado dela. — agradeceu. — Ô minha filha, que saudade de você eu senti. Minha bonequinha linda.

Antônio também se aproximou, passando a mão com carinho na cabeça da filha e trocando um olhar respeitoso com Vinícius.

Eu nunca teria conseguido resgatar Irene sem vocês. — Ele disse, sinceramente.

Vinícius assentiu, mas seu olhar permaneceu em Irene.

Podemos conversar?

Ela olhou para Antônio, que compreendeu e se afastou um pouco, dando-lhes privacidade.

Eles se afastaram um pouco do grupo, caminhando até uma área mais isolada da aldeia. Vinícius parecia hesitante, como se pesasse bem as palavras antes de falar. Irene cruzou os braços, já imaginando o que estava por vir.

Eu preciso te perguntar algo, Irene. Algo que talvez você já imagina o que seja. — começou, sua voz carregada de incerteza. — Existe alguma chance... por menor que seja... de Aruna ser minha filha?

Irene suspirou, fechando os olhos por um instante. Quando os abriu, seu olhar era firme.

Não, Vinícius. Com toda certeza, Aruna é filha de Antônio. — pareceu segura. — Quando tivemos um caso, eu usava anticoncepcional, além de usarmos proteção. — lembrou. — Eu só parei o uso do remédio quando tudo aconteceu e eu me separei do Antônio. — explicou. — Quando reatamos, eu não me lembrei de voltar a tomar os comprimidos e engravidei.

O homem balançou a cabeça positivamente enquanto ela continuava:

Nem me passou pela cabeça que isso fosse possível. — explicou. — O fato é que eu só descobri que estava grávida quando ele soube a verdade sobre o acidente que matou Daniel e me mandou ir embora. — seus olhos se encheram ao lembrar. — Eu tentei me matar e quando fui salva do acidente me disseram que eu estava grávida. Eu não tenho dúvidas. Ela é filha do Antônio. Nós, não nos encontrávamos à meses quando engravidei.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora