O silêncio da madrugada pairava pesado na antiga sede da cooperativa. Irene estava alerta, sentindo cada segundo passar como uma eternidade. A presença de Leonardo era sufocante, e ela sabia que precisava agir rápido se quisesse salvar sua filha e Antônio.
— Antônio, você tem que sair daqui. — Implorou, enquanto continuava encarando a porta. — Se ele te ver aqui, estaremos perdidos.
Os passos do homem eram cada vez mais próximos e Irene tinha medo que ele tivesse posse de Antônio e Aruna. Sabia que se Antônio fosse pego, Leonardo o usaria para a torturar.
— Sr Aldrava, acabamos de voltar da cidade. — anunciou enquanto atrasava a chegada do homem em seu cativeiro. — Fizemos as compras que o Senhor pediu. — comunicou.
— Trouxeram meu cereal? — Indagou, enquanto Irene revirava os olhos.
— Patético! — murmurou.
IRENE ON:
Eu sabia que havia chegado a hora de tomar uma decisão, e talvez fosse a mais difícil que eu já teria que fazer na minha vida. O cativeiro em que me encontrava não era apenas físico, mas emocional. Cada dia que passava, meu coração apertava mais, cada pensamento sobre minha filha, minha família, me fazia sentir como se estivesse morrendo aos poucos. Mas ainda assim, eu precisava ser forte. Não por mim, mas por Aruna e Antônio.
Leonardo estava mais perigoso do que eu jamais imaginei, e cada segundo em sua presença era um lembrete constante do poder que ele tinha sobre mim. Ele era cruel, implacável, e agora ele tinha o que mais me importava: minha filha. Aruna, com seus cinco meses de vida, era tão indefesa, tão inocente, e ver ela em perigo fez meu sangue ferver. Mas não podia agir de forma impulsiva, porque se eu fizesse isso, ambos seriam perdidos.
Eu me sentia engolida pela culpa, pela vergonha de ter que fazer isso. Sacrificar minha felicidade, minha liberdade, e até mesmo a minha dignidade para salvar quem eu mais amava. Antônio... meu amor, a dor de te ver sofrer por minha causa era insuportável, mas eu sabia que tinha que fazer isso. Eu sabia que não poderia deixá-lo sucumbir ao mesmo destino que o meu.
Olhei para Aruna, que dormia tranquila, sem saber das escolhas difíceis que sua mãe estava prestes a fazer por ela. Ela era tão pequena e ainda assim tão preciosa para mim. Eu não sabia quanto tempo conseguiria manter essa fachada de força, mas, por ela, eu aguentaria. Por ela e por Antônio.
A decisão estava tomada. Eu não podia fugir do cativeiro, não sem colocar minha filha e o homem que amo em risco. Então, em um impulso de coragem, decidi que o melhor que eu poderia fazer agora era entregar Aruna a Antônio. Ele seria a melhor pessoa para protegê-la. Ele seria capaz de lutar contra Leonardo de uma forma que eu não conseguiria. Ele sempre foi forte, e eu sabia que ele não desistiria de nós.
A dor no meu peito aumentava com cada pensamento. Eu tinha que me entregar a Leonardo, ser sua para garantir que ele não machucasse mais ninguém. Ele queria minha submissão, e, para salvar Aruna e Antônio, eu teria que lhe dar isso. Eu sabia que ia perder a minha liberdade, minha paz, minha dignidade, mas ao menos Aruna teria a chance de crescer longe da sua ameaça.
Mas o que mais me torturava era pensar em Antônio. Ele ficaria arrasado, desesperado, mas eu sabia que ele era forte o suficiente para superar isso. Ele sempre foi, mesmo quando o mundo parecia desabar sobre ele. Eu só precisava fazer isso, por nós, por nossa família. O sacrifício seria o único caminho para que Aruna pudesse viver uma vida segura.
Então, respirei fundo e fiz o que sabia ser o certo, mesmo que isso significasse abrir mão de tudo o que eu mais desejava. Olhei para a porta do cativeiro e sabia que, ao dar o próximo passo, minha vida mudaria para sempre. Eu ia entregar Aruna a Antônio, e eu ia ficar com Leonardo. Minha mente me dizia que era um preço alto demais a pagar, mas meu coração me dizia que era o único caminho.
Era uma escolha entre perder a liberdade e perder a família. E eu sabia que, no final, era o único sacrifício possível.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
