Lealdade

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- Onde está ela, Irene? - Leonardo perguntou, com sua voz grave e ameaçadora. Ele não gritou, mas as palavras saíram com um tom de comando, como se ele tivesse o direito de saber de tudo o que acontecia em minha vida. - Eu decidi que vou te dar outra chance de abrir a boca e falar a verdade.

- Não sei do que está falando, Leonardo. - respondeu, uma ironia que, mesmo ela, sabia que não era o melhor momento para usar. Mas as palavras saíram assim, como uma provocação, como um último sopro de resistência diante da força dele.

Ele não se conteve. Pegou a mesa ao lado e a virou com uma violência tão grande que os papéis e objetos foram espalhados pela sala. Eu o encarei, sem dar o braço a torcer.

- Você não vai me enganar, Irene. - Ele rosnou, se aproximando lentamente. - Antônio não esteve aqui sozinho. Ele teve ajuda para levar Aruna. Ele a levou mesmo?

Ela riu, sem conseguir evitar. Sua risada foi seca, sem humor, mas ainda assim desafiadora.

- Ah, claro. Porque eu sou uma super heroína capaz de esconder minha filha de você. - falei, com a voz recheada de ironia. - Você realmente acha que eu seria capaz de esconder ela aqui? Aonde? Debaixo do meu nariz? Ou será que é isso que você quer? Que eu confesse? - perguntou, já cansada da pressão.

Leonardo parou por um momento, seus olhos estreitos e perigosos, estudando minha expressão. Ele estava tentando entender se eu estava mentindo ou não. Mas a verdade é que eu não sabia onde Aruna estava. Antônio tinha feito o que era necessário, pegou nossa filha e prometeu protege-la em um lugar que Leonardo jamais desconfiaria que ela estivesse.
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Antônio dirigia pela estrada de terra batida, o rosto marcado pela tensão. A poeira subia sob as rodas do carro, mas ele mal notava, com o olhar fixo no caminho que o levaria até a tribo dos Guató. Aruna, aninhada no banco de trás, dormia tranquilamente, alheia ao caos que envolvia sua família. Antônio sabia que estava prestes a fazer um dos pedidos mais difíceis de sua vida, e o destino o levou até alguém que ele jamais pensou que veria de novo: Vinícius.

O geólogo, que havia se envolvido com Irene meses atrás, era a última pessoa a quem Antônio queria pedir ajuda, mas as circunstâncias exigiam decisões difíceis. Ele sabia que, apesar de tudo, Vinícius ainda nutria sentimentos por Irene e faria o possível para protegê-la - ou, nesse caso, proteger algo que vinha dela.

Assim que chegou à aldeia, foi recebido por alguns membros da tribo. Ele pediu para ver Vinícius, e logo o homem surgiu, ao lado de sua esposa, Iraê. O semblante de Vinícius mudou ao vê-lo, uma mistura de surpresa e cautela.

- Antônio? O que você está fazendo aqui? - perguntou Vinícius, cruzando os braços.

Antônio desceu do carro, segurando Aruna em seus braços. Sua expressão era séria, mas havia uma urgência em sua voz.

- Preciso da sua ajuda, Vinícius. - Ele olhou para Iraê, que o observava com curiosidade. - E da sua também, Iraê.

A esposa de Vinícius trocou um olhar com o marido antes de se aproximar lentamente.

- O que aconteceu? - perguntou ela, a voz suave, mas firme.

Antônio respirou fundo, tentando controlar a emoção que ameaçava transbordar.

- Irene foi sequestrada. E minha filha, Aruna, está em perigo. - Ele olhou diretamente para Vinícius. - Não consegui pensar em outro lugar seguro para escondê-la. Preciso que vocês a protejam, até eu conseguir tirar Irene daquele desgraçado que a mantém presa.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora