A luz fraca da pequena lâmpada no teto piscava incessantemente, lançando sombras oscilantes nas paredes da sala úmida. Aquele lugar um dia foi o escritório de Antônio. Irene estava sentada no chão frio, as mãos atadas na frente do corpo, e o coração pesado como uma âncora. Desde que Leonardo a levou, ela não conseguia parar de pensar em Aruna. A pequena, com apenas cinco meses, era tudo para ela. O pensamento de sua filha nas mãos daquele monstro fazia seu estômago revirar.
O som de passos ecoou do lado de fora. Irene ergueu a cabeça rapidamente, o coração acelerado. A porta se abriu com um rangido, e Leonardo entrou, carregando uma bandeja com comida.
Ele colocou a bandeja sobre uma mesa próxima e a empurrou para mais perto dela.
- Mais calma, meu amor? - reagiu com deboche. - Pensou com carinho na gente?
- Eu não tenho nada pra pensar, Leonardo. - tentou ignorar a presença do homem.
― Coma. Você precisa de força.
Irene estreitou os olhos para ele, um sorriso cínico aparecendo em seus lábios.
― Ah, que gentileza, Leonardo. Desde quando você se preocupa com meu bem-estar? Acha mesmo que eu vou comer algo que venha de você? Acha que eu vou deixar você me envenenar também, como fez com minha mãe?
Leonardo arqueou uma sobrancelha, a expressão neutra, mas o brilho nos olhos indicava que suas palavras o atingiram.
― Não seja dramática, Irene. Eu só estou querendo que você não morra de fome.
Ela riu, um riso amargo que ecoou pelo porão.
― E você, acha que ajuda alguém com essa obsessão doentia? Você é patético, Leonardo. Um homem que precisa sequestrar a própria filha, pra se sentir poderoso.
Leonardo permaneceu em silêncio por um momento, depois puxou uma cadeira e sentou-se de frente para ela.
― Você sempre teve essa língua afiada, não é? Talvez seja isso que eu mais gosto em você.
― Gosta? ― Irene inclinou a cabeça, o sarcasmo evidente. ― Que adorável. Só falta você dizer que tudo isso é amor. Quer saber? Se isso é o seu tipo de amor, prefiro ser odiada.
Leonardo sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos. Ele empurrou a bandeja mais para perto dela.
― Coma.
Ela cruzou os braços, mesmo com as mãos atadas, e se recostou contra a parede.
― Não estou com fome.
― Não é hora de fazer birra, Irene.
Ela bufou, balançando a cabeça.
― Sério? Você me prende aqui e espera que eu aceite sua comida como se isso fosse um jantar romântico?
Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos.
― O que você quer, Irene?
Ela o encarou com intensidade, a voz carregada de ódio.
― Quero minha filha. Quero que você desapareça da minha vida. Quero que você pare de respirar. É pedir demais?
Leonardo riu baixo, balançando a cabeça.
― Você sabe o que precisa fazer se quiser ver Aruna novamente.
Irene ergueu o queixo, a raiva brilhando em seus olhos.
― E você sabe que eu nunca vou fazer o que você quer. Nunca.
Ele parou, o rosto se fechando. Com um movimento rápido, agarrou o rosto dela com uma mão, forçando-a a encará-lo.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
