Sem Você

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Irene sentiu a tensão na sala aumentar. Antônio olhou para ela, incrédulo, enquanto Petra parecia pronta para intervir.

- Irene, você não pode estar falando sério. - Se aproximou dela, a voz um misto de preocupação e raiva. - Ele é perigoso! Você viu o bilhete, viu o vídeo. Ele está brincando com a gente, mas é só uma questão de tempo até ele...

- Até ele quê? - Interrompeu Irene, a voz firme, mas os olhos cheios de lágrimas. - Até ele me destruir de vez? Ele já roubou tanto de mim... Minha paz, minha confiança, minha segurança. Mas ele não vai levar mais nada.

Petra colocou a mão no ombro de Irene.

- Mãe, ninguém está pedindo para você enfrentar isso sozinha. Nós estamos aqui. Mas, por favor, pense na Aruna.

Irene olhou para a filha em seus braços. Dormindo de forma serena. Sentindo-se protegida pelo calor da mãe.

- É justamente por ela. - Respondeu, mais calma agora. - Eu não quero que ela cresça vendo a mãe com medo. Se eu continuar fugindo, ele já venceu.

O policial pigarreou, chamando a atenção de todos.

- Eu entendo sua frustração, senhora, mas enfrentar alguém como Damião requer planejamento. Não podemos agir por impulso.

- Então, qual é o plano de vocês? - Perguntou Irene, depois de entregar a filha a Antônio, cruzando os braços em seguida. - Esperar que ele faça algo irreparável?

O policial hesitou antes de responder.

- Vamos aumentar a segurança e continuar a investigação. Estamos trabalhando para capturá-lo.

- Não é suficiente. - Irene balançou a cabeça. - Eu vou enfrentá-lo, mas vou fazer isso do meu jeito.

Antônio suspirou, derrotado.

- E qual seria esse "jeito", Irene? - Revirou os olhos, enquanto ajeitava a filha em seus braços.

Ela respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.

- Ele quer me ver com medo. Quer me ver recuar. Então, não vou. Vamos agir como se nada tivesse mudado. Ele acha que tem o controle, mas é ele quem será surpreendido.

- Manhê, Isso é perigoso. - Petra advertiu.

- É, mas fugir também é. - Irene olhou para cada um deles. - Não vou sair dessa casa. Não vou deixar tudo o que conquistamos e se meter no mundo com uma filha de vinte e poucos dias nos braços. A própria sorte. Antônio?! Eu vou continuar com a minha vida. E me preparar. Se ele aparecer, estarei pronta.

- Você não está sozinha nisso. - Antônio finalmente cedeu. - Vamos enfrentá-lo juntos.

O policial suspirou, mas fez um gesto afirmativo.

- Se essa for a sua decisão, vamos reforçar a vigilância. E faremos questão de que ele saiba que está sendo observado.

Irene assentiu.

Naquela noite, enquanto embalava Aruna nos braços, percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, sentia algo mais forte que o medo.
Damião havia cometido um erro ao subestimá-la. E ela usaria isso contra ele. No fundo, sabia que não seria fácil. Mas, pela primeira vez, sentiu que tinha uma chance de retomar o controle. E ela não desperdiçaria isso.

IRENE ON
Acabei de me tornar mãe pela terceira e última vez. Nunca vivi uma gravidez, parto e puerpério assim. Tão cheio de ameaças e medos. Quando soube que estava grávida de Antônio novamente, depois de quase perder a minha vida em um acidente provocado por mim mesma, eu não quis acreditar que mais um filho viria ao mundo por mim. Não me achava capaz. Não me achava digna. Mas, quando lembro que Aruna se revelou a mim depois de um grave acidente que poderia matá-la, e um parto em meio a um sequestro que a colocava em risco outra vez, eu não a achei mais tão frágil assim.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora