As Buscas Começam...

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O silêncio da madrugada após as carícias na noite de amor de ambos foi interrompido pela batida surda dos passos apressados de Irene e Antônio pela casa. O desespero da mãe ecoava em cada cômodo enquanto a chegada da polícia trazia mais tensão do que alívio. Antônio tentava fazer com que Irene se acalmasse mas, também estava apavorado com tudo o que estava acontecendo.

O oficial encarregado pela investigação, novo no ofício de investigar os crimes de Nova Primavera, olhou para o casal com seriedade. Sua experiência em outros espaços lhe dizia que esse não era um caso comum.

Peço que se acalmem e me relatem tudo do começo ― disse ele, a voz firme. ― Vocês disseram que a filha de vocês estava no berço desde às 20h. Irene, pode nos contar exatamente o que aconteceu desde então? - a encarou, enquanto segurava um bloco de notas nas mãos.

Com o rosto molhado de lágrimas, e os olhos vermelhos pelo desespero, ela respirou fundo antes de responder:

Por volta das 19h30 eu amamentei ela pela última vez. Faço isso todas as noites antes que a coloque para dormir. - ela exitou, buscando calma para lembrar de todos os detalhes. - Levei ela para o quarto, dei a chupeta, a enrolei em uma mantinha e a coloquei no berço, antes de fechar a janela e apagar todas as luzes, deixando só um ponto de luz aceso.

- Você voltou lá depois disso?

- Não. Nós temos babá eletrônica. Depois que eu fui para o quarto com Antônio, nós ficamos acordados por mais ou menos duas horas, até pegarmos no sono. - lembrou, sem relatar os detalhes sobre o que fizeram. - uma hora depois, mais ou menos às 23h, eu despertei e conferi a babá, Aruna estava dormindo com tranquilidade. E só agora eu percebi que depois disso, desligaram a câmera no quarto dela.

A babá eletrônica foi desligada? ― perguntou o homem, franzindo o cenho.

Sim. Quando acordei e fui olhar o berço, ela já não estava lá... e a babá estava inativa.

Antônio interveio, tentando manter a calma.

Não havia mais ninguém na casa. Irene e eu cuidamos de tudo sozinhos desde que Aruna começou a ganhar mais independência para dormir. - lembrou. - A babá só nos ajuda durante o dia.

O silêncio foi interrompido pelo sargento Carolina, que havia terminado de inspecionar o quarto da bebê.

Encontrei pegadas leves perto da janela. - avisou. - parece que alguém entrou por ali. O quarto está bagunçado do berço até a janela. Alguma suspeita de quem pode ter feito isso?

Antônio hesitou por um momento, mas então falou:

Damião. Ele é um ex-funcionário meu. Foi demitido há cinco anos...

O investigador o encarou com muita atenção.

Por quê?

Antônio trocou um olhar com Irene, que parecia ainda mais pálida ao ouvir o nome.

Porque ele assediava a minha esposa.

A tensão na sala aumentou. Carolina fez um gesto para que continuassem.

Não foi só isso ― disse Irene, a voz trêmula. ― Ele me perseguiu. Quando eu estava grávida e separada de Antônio, Damião me seguiu até outra cidade. Ele... tentou me matar.

Os oficiais trocaram um olhar sério. Continuaram fazendo gesto para que Irene prosseguisse.

Depois que Antônio e eu voltamos, ele invadiu nossa casa enquanto meu marido estava viajando. E tentou me agarrar.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora