Coincidências

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Antônio estava sentado na beira da cama, os pensamentos turbinando em sua mente. Ele olhava para a porta do quarto, como se esperasse que Irene entrasse a qualquer momento. O desejo que sentia por ela era intenso, quase palpável, mas havia algo mais profundo que o preocupava: desejava que a conexão que eles tinham não tenha se perdido em meio ao caos da vida.

ANTÔNIO ON:
Eu sinto falta de nós enquanto me lembro dos momentos em que apenas estarmos juntos era suficiente. A paixão que queimava entre nós agora parece uma chama distante. Não posso vê-la se debruçar sobre o balcão da cozinha ou subir às escadas de vestido e me lembro das noites em que nos entregamos um ao outro, rindo e explorando os corpos como se o mundo lá fora não existisse.
Ontem a noite, quando Irene amamentou Aruna e cochilou de exaustão sobre a poltrona do quarto, eu a encarei. Nossa filha dormia em seu colo e eu a peguei para colocar no berço. Encarei os seios de Irene, exposto. Duros, cheios e pontudos. Lindos, como sempre foram. Foi inevitável deixar de desejar a minha mulher.

Desde o sequestro, a vida deles havia mudado drasticamente. O nascimento de Aruna trouxe uma alegria imensa, mas também uma responsabilidade avassaladora. Ele observava Irene, sempre tão ocupada, correndo de um lado para o outro com a bebê nos braços. "Ela nunca tem tempo para mim", pensou, um nó de frustração se formando em seu peito.

Quando as ameaças de Damião pairavam como uma sombra sobre eles. A tensão no ar era palpável e fazia com que Antônio se sentisse impotente. "Como posso pedir algo dela quando ela está tão sobrecarregada e assustada?" Ele queria ser o apoio que Irene precisava, mas também desejava ser visto e desejado novamente.

ANTÔNIO ON:
Eu só quero sentir a nossa conexão de volta. Quero poder segurar a mão dela e saber que tudo vai ficar bem. Quero olhar nos olhos dela e sentir aquele fogo novamente. Irene precisa de mim agora mais do que nunca. Mas, eu também preciso dela. Não posso continuar assim. Preciso encontrar uma maneira de retomar a nossa vida sexual sem pressioná-la ou fazê-la sentir-se culpada por não estar disponível. Talvez eu possa começar com pequenos gestos. Um jantar romântico quando Aruna estiver dormindo... ou uma conversa sincera sobre como estamos nos sentindo. Apenas precisamos encontrar um jeito de redescobrir um ao outro.

Antônio estava ansioso. Depois de dois meses desde o parto de Irene, ele sentia falta da conexão que tinham antes. Ele decidiu que era hora de tentar, mesmo sabendo que a vida com um recém-nascido poderia ser imprevisível. Naquela noite, ele preparou o quarto: luz baixa, música suave e um clima acolhedor. Quando Irene entrou, ele sorriu.

- Oi meu amor! - Se aproximou, enquanto beijava seu pescoço, carinhoso. - Que tal termos um momento a sós? Estou morrendo de saudades de nós dois.

Irene sorriu, mas antes que pudesse responder, o choro da bebê ecoou pela casa.

- Ah não! A Aruna acordou de novo. - Disse com um olhar preocupado. - Deixa eu ver o que aconteceu. - Correu.

- Claro! Vou preparar algo para nós enquanto você cuida dela. - Gritou, enquanto tentava manter um bom humor.

Depois de alguns minutos, Irene voltou com a bebê nos braços.

- Desculpa, ela estava com fome. - Explicou enquanto a entregava para ele. - Pode fazê-la arrotar por favor?

- Sem problemas! - Compreendeu ao segurar a pequena em seus braços, enquanto Irene forrava uma fralda em seu ombro. - Mas, agora que ela está tranquila...

Antes que pudesse terminar, o telefone tocou abruptamente.

- Ih, deve ser a Petra. - Correu. - Fiquei de ligar para ela hoje a tarde e acabei me esquecendo. Preciso atender.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora