A Revelação

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O sol já começava a nascer, tingindo o céu de tons suaves de laranja e rosa, mas a casa de Irene continuava mergulhada em uma sombra pesada. Os olhos inchados de tanto chorar mal se mantinham abertos, mas ela não conseguia descansar. Cada minuto parecia um golpe contra seu coração. Aruna ainda estava desaparecida.

No meio daquele turbilhão, Petra entrou na sala. Irene notou o passo vacilante da filha e levantou-se imediatamente, a preocupação tomando conta de sua expressão.

Petra, o que houve? Você está pálida! ― perguntou Irene, segurando a filha pelos ombros, ambas nem sequer haviam conseguido dormir.

Petra balançou a cabeça, tentando sorrir, mas o sorriso logo desapareceu.

Estou bem, mãe... só... cansada.

Antes que pudesse terminar, Petra cambaleou levemente, e Irene a segurou com força.

Não está nada bem! Vamos para o seu quarto, agora.

Irene guiou a filha pelo corredor até o antigo quarto de Petra, onde o tempo parecia ter parado. As paredes ainda tinham fotos da adolescência dela, e os móveis estavam exatamente como antes. Petra sentou-se na beira da cama, respirando fundo.

Deita filha― ordenou Irene, com firmeza, mas cheia de carinho. ― Eu vou cuidar de você.

Petra obedeceu, deitando a cabeça no colo da mãe, como fazia quando era criança. Irene começou a acariciar os cabelos da filha, tentando entender o que estava acontecendo.

Petra... você voltou a tomar aqueles remédios, minha filha? ― perguntou, com a voz carregada de preocupação.

Petra fechou os olhos, segurando a mão da mãe.

Não, mãe... não é isso. Eu prometo.

Então o que é? ― Irene insistiu. ― Você precisa me dizer. Não pode esconder nada de mim.

Petra abriu os olhos, e lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.

É que eu tô grávida. - revelou.

Irene piscou, surpresa. Não sabia o que dizer por alguns segundos.

Grávida?

[• NOVA PRIMAVERA (MS), 2005 •]
O calor da noite era sufocante, mas Irene não sentia o desconforto enquanto observava Petra, de apenas oito anos, encolhida na cama. O rosto da menina estava avermelhado pela febre, e os olhos semicerrados ainda brilhavam com a curiosidade de uma criança cheia de sonhos.

- Mamãe... - a voz fraca de Petra quebrou o silêncio.

- Estou aqui, minha filha. - Irene respondeu, ajustando o pano úmido na testa da filha. - Mamãe tá aqui.

Petra ficou em silêncio por um instante, como se estivesse reunindo forças para continuar.

- Hoje... Na escola, me perguntaram o que eu quero ser quando crescer...

- E o que você respondeu? - Irene perguntou, com um sorriso leve, já imaginando a resposta da filha.

- Que quero ser mãe. - respondeu a menina, com a simplicidade de quem acabara de declarar o maior desejo do mundo.

Irene arqueou as sobrancelhas, surpresa e tocada ao mesmo tempo.

- Mãe? É mesmo? - perguntou, tentando disfarçar a emoção. - Petra, você nunca deixa de me surpreender filha. - sorriu, enquanto encarava novamente o termômetro.

Antorene: The AfterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora