Apesar de tudo o que estava acontecendo, Irene se sentia aliviada em ter Aruna sobre os seus cuidados. A emoção tomava conta de seu corpo enquanto sentia o calor da pequena contra seu peito. Havia tanto tempo que não a amamentava, tanto tempo que não sentia esse vínculo de mãe e filha. O calor da criança e o som tranquilo da respiração de Aruna a faziam esquecer, por um momento, do horror que viviam. Mesmo presa, mesmo em perigo, ela ainda tinha sua filha, e isso era o que a mantinha viva, a motivação para lutar.
- Você é tudo para mim, filha... - Irene sussurrou, acariciando os cabelos da filha enquanto a amamentava. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, mas era uma lágrima de alívio e não de dor. - Tava com saudade do leitinho da mamãe, hum?
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Enquanto isso, Antônio, Caio e Luigi chegaram à antiga sede da cooperativa. A área estava silenciosa, sombria, quase abandonada. O prédio parecia um espectro do passado, e Antônio não pôde deixar de se sentir desconfortável ao caminhar pelo local. Ele sentiu uma crescente sensação de que algo estava errado, que algo muito maior estava em jogo.
- Olhem isso... - Caio apontou para uma porta parcialmente aberta, do lado de fora do prédio. - A sala estava trancada antes. Alguém está aqui.
Antônio olhou para Caio, seu corpo tenso, uma sensação de pavor crescendo dentro dele. Ele sentia que estava mais perto de encontrar Irene, mas também temia o que encontraria.
- Eu vou entrar. - Antônio disse, a voz firme, mas com um tremor que ele não conseguiu esconder.
- Não pai. Tem que ter calma. Nós não sabemos com quem estamos lidando, nem se Irene realmente está aqui.
- Ela está aqui. Eu sinto isso. - Antônio disse, a voz carregada de determinação.
- Precisamos ser rápidos e cuidadosos. - Luigi avisou, olhando em volta. - Se minha sogra realmente estiver aqui, o sequestrador não vai hesitar em reagir.
Antônio pegou uma lanterna e começou a caminhar em direção à entrada, com os outros dois seguindo de perto. Cada passo parecia ecoar pelo chão de terra batida, aumentando a tensão.
- Eu vou entrar. Decidiu.
- Você não pode fazer isso sozinho. Acho melhor chamar a polícia e...
- Não Caio. Não vou chamar a polícia dessa vez. Qualquer passo em falso e...
- Tudo bem. Eu vou com você.
- Não. Eu entro sozinho. Preciso que vocês fiquem aqui, caso eu precise de ajuda.
Ao entrar no prédio, ele se depara com o silêncio opressor, quebrado apenas pelos sons distantes do vento e do ranger da madeira envelhecida.
Antônio se movia com cautela pelo corredor escuro. Ele abria com cuidado porta por porta, o coração martelando a cada sala vazia que encontrava.
- Cadê você Irene... Cadê você...
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A bebê ainda estava aconchegada contra os seios da mãe, mamando com tranquilidade. Lágrimas escorriam pelo rosto de Irene enquanto ela acariciava os cabelos finos de Aruna.
- Meu amor... - ela sussurrou, a voz embargada pela emoção. - Eu pensei que nunca mais fosse te ver de novo.
Aruna continuava a mamar, alheia ao turbilhão de emoções da mãe. Irene sentia o peso do medo, mas também uma fagulha de força renovada. Ter Aruna novamente em seus braços dava a ela um motivo para resistir, para lutar contra Leonardo.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
