A noite era fria e silenciosa, exceto pelos sussurros do vento que varriam a antiga sede da cooperativa. Antônio estava escondido entre as sombras, observando de longe os capangas de Leonardo que, confiantes de que tudo estava sob controle, decidiram sair para beber, deixando o local praticamente desguarnecido. Ele esperava por esse momento. Desde que descobrira que Irene e Aruna estavam ali, não conseguia pensar em mais nada além de tirá-las daquele inferno.
Depois de horas de espera, observando e analisando cada movimento, ele percebeu que a segurança estava afrouxando. Leonardo, aparentemente, dormia em outra sala. Antônio sabia que precisava agir rápido, antes que a situação mudasse.
Com passos leves, ele entrou no corredor escuro que o levava até o antigo escritório, guiado apenas pela lembrança do local e pelo desejo de encontrar Irene e Aruna. Cada passo parecia ecoar em sua mente, mas ele mantinha o foco.
Quando abriu a porta do escritório, encontrou Irene dormindo no chão frio, próxima a um berço improvisado onde Aruna resmungava em um sono inquieto. A luz fraca de uma vela iluminava o rosto de Irene, revelando as marcas do cansaço e do medo.
No instante em que ele entrou, Irene abriu os olhos rapidamente, assustada.
- Quem está aí? - Ela perguntou, a voz tremendo.
Antônio saiu das sombras, tentando não assustá-la ainda mais.
- Sou eu, Irene. - Ele respondeu em um sussurro, caminhando em sua direção.
Irene levou a mão à boca, contendo um grito. Por um momento, ela achou que fosse Leonardo, mas quando viu o rosto de Antônio, seus olhos se encheram de lágrimas.
- Antônio... - Ela sussurrou, quase sem acreditar.
Ele se ajoelhou ao lado dela, os braços envolvendo-a em um abraço apertado.
- Eu te encontrei, meu amor. Eu estou aqui. - Antônio beijou sua testa, depois suas bochechas e, finalmente, sua boca, num beijo apaixonado e cheio de alívio.
Irene soluçou, as lágrimas caindo livremente enquanto se agarrava a ele.
- Eu achei que nunca mais fosse te ver. - Ela disse, a voz embargada.
Antônio acariciou seu rosto, olhando profundamente em seus olhos.
- Eu nunca desistiria de você, Irene. Nunca.
Ele desviou o olhar para Aruna, que dormia no pequeno berço improvisado. O coração de Antônio apertou ao ver sua filha ali, tão vulnerável. Ele se aproximou lentamente, estendendo a mão para acariciar a cabeça da menina.
- Ela está bem? - Antônio perguntou, sem tirar os olhos de Aruna. - Eu sinto tanta falta dos teus chorinhos pela casa minha filha. - Lamentou, enquanto continuava olhando para Aruna, como se pudesse esquecer seu rosto.
Irene assentiu, embora as lágrimas continuassem a escorrer.
- Irene, você está bem? Aquele desgraçado te machucou? - Antônio perguntou, correndo para ela, tentando segurá-la em seus braços. - Onde você estava? Como... como você veio parar aqui? - beijou sua boca, várias vezes.
Irene balançou a cabeça, lágrimas caindo de seus olhos.
- Eu recebi um recado. - Ela murmurou, apertando os braços contra o peito. - Leonardo me trouxe aqui. Ele está vivo Antônio. O Sidney não fez o que eu mandei. Ele não matou o meu pai.
- Calma. - Beijou sua cabeça, rapidamente, enquanto abraçava sua mulher. - Eu tô aqui, meu amor.
- Ele disse que eu precisava provar meu amor por você e por Aruna. - explicou. - Ele quer que eu me torne sua esposa.
Antônio apertou os dentes, sentindo uma raiva crescente. Não podia acreditar no que ouvia. O homem que havia causado tanto sofrimento à sua esposa, agora a tinha prendido aqui, e com sua filha.
- Eu... eu vou te tirar daqui, Irene. Eu prometo. - Antônio a abraçou, com a voz embargada de emoção.
Mas o momento de alívio foi interrompido quando Antônio ouviu passos se aproximando. Ele olhou para Irene e viu que ela também estava tensa.
- Você precisa sair daqui. - pediu. - Ele está atrás de você Antônio. Ele... ele usou ela... - apontou para a filha. - Para me manipular, Antônio. Ele quer que eu me torne esposa dele. Disse que era a única forma de garantir que você e Aruna ficariam vivos.
A raiva tomou conta de Antônio, mas ele tentou manter a calma para não assustar Irene.
- Isso nunca vai acontecer. Ele não vai te tocar, eu prometo. - Ele voltou a olhar para Irene, sua expressão endurecida. - Nós vamos sair daqui. Eu vou tirar vocês daqui.
Irene balançou a cabeça, os olhos cheios de medo.
- Não é tão simples, Antônio. Ele tem olhos em todos os lugares. E se ele descobrir que você está aqui, ele vai te matar. Eu não posso perder você.
Antônio segurou seu rosto com as mãos, forçando-a a olhar para ele.
- E você acha que eu posso perder vocês? Irene, eu não vou permitir que esse homem continue te machucando, nem que ele chegue perto da nossa filha.
Irene baixou o olhar, lutando contra o desespero que ameaçava dominá-la.
- Eu tenho medo, Antônio. Medo de que tudo isso acabe mal. Medo de que ele nos encontre antes que possamos fazer algo.
Antônio segurou suas mãos com firmeza, tentando transmitir confiança.
- Não tenha medo, meu amor. Nós vamos sair dessa. Juntos.
Eles ficaram em silêncio por alguns instantes, ouvindo apenas o som baixo da respiração de Aruna. Antônio se levantou e caminhou até a porta, certificando-se de que o corredor estava vazio antes de voltar para Irene.
- Os capangas dele saíram. A segurança está baixa. Essa pode ser a nossa única chance.
Irene o encarou, hesitante.
- E se ele acordar? E se eles voltarem?
Antônio se ajoelhou novamente, segurando as mãos dela.
- Vamos dar um jeito. Eu preciso que você confie em mim, Irene.
Ela respirou fundo, tentando encontrar coragem.
- Eu confio em você, Antônio. Sempre confiei.
Antônio sorriu, apesar da situação. Ele sabia que não seria fácil, mas aquele momento de união com Irene era tudo o que ele precisava para continuar lutando.
Ele se aproximou novamente do berço e pegou Aruna nos braços, sentindo uma onda de proteção tomar conta de si. Olhou para Irene e estendeu a mão.
- Vamos, meu amor. Vamos acabar com isso juntos.
Irene segurou a mão dele, se levantando com dificuldade. Seus olhos estavam determinados agora, apesar do medo.
- Vamos. - tentou encorajar a mulher. - Caio e Luigi estão aí fora. - Avisou. - Viemos te resgatar.
Mas quando estavam prestes a deixar o cativeiro, Aruna começou a chorar copiosamente no colo de Antônio. Um choro desesperado e impossível de parar.
- Não filha. Por favor. Não. - tentou acalma-la.
Irene coloca a caçula rapidamente no peito e a balança por todos os lados. Os dois observam o movimento e tentam se acalmar enquanto Antônio avisa a Luigi e Caio sobre tudo o que aconteceu.
A essa altura, a menina não chora, mas ainda resmunga.
- E eu posso saber onde vocês estão? - A voz masculina gritava ao telefone. - Imprestáveis! Eu não mandei que ficassem em guarda durante toda a noite?
A mulher ouve a voz inconfundível do pai e encara Antônio com os olhos amedrontados. Eles se encaram enquanto ela protege a filha contra seu peito.
- É ele Antônio. É o Leonardo. - alertou. - Nós estamos perdidos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
