A noite era cortada pelo som de sirenes, e a escuridão do cativeiro parecia ainda mais densa diante da expectativa do que acontecia ali dentro. Irene sentia o coração acelerado enquanto caminhava com passos trêmulos ao lado dos policiais, seu medo crescendo a cada segundo.
Desde que o tiro ecoou pelo ar, e sua respiração falhou, não conseguia respirar de novo.
— Antônio! — O nome escapou de seus lábios em um sussurro apavorado.
Ela tentou avançar, mas um dos policiais a segurou.
— Espere, senhora. Não sabemos o que aconteceu lá dentro ainda.
Mas ela não conseguia esperar. A ideia de ver Antônio ferido, talvez morto, fazia sua visão escurecer. Seu corpo inteiro tremia, e a adrenalina pulsava em suas veias.
Com um empurrão firme, Irene se soltou e correu para dentro do cativeiro, seus olhos procurando desesperadamente pelo homem que amava.
Foi então que o viu.
Antônio estava de pé no centro do cômodo, com a arma em punho. Sua respiração estava acelerada, mas ele não parecia gravemente ferido. Havia apenas alguns arranhões e marcas de luta em seu rosto e braços.
Ela não conseguiu conter o soluço de alívio.
— Meu Deus... — murmurou, correndo até ele. — Antônio, você está bem meu amor? Fala comigo. Fala comigo Antônio.
— Acabou. — anunciou, ainda na mesma posição.
Antes que qualquer palavra fosse dita, os policiais invadiram o local, armas em punho, e fizeram um rápido reconhecimento da área. Em poucos segundos, um dos agentes anunciou:
— Leonardo está morto. — tampou o corpo do homem com um lençol branco.
Irene piscou algumas vezes, tentando processar a informação. Ela se virou lentamente e viu o corpo de Leonardo caído no chão, um buraco de bala no peito e os olhos abertos, mas sem vida.
Ela esperava sentir algo... qualquer coisa. Afinal, aquele homem era seu pai. Mas, tudo o que veio foi um alívio. Um alívio grandioso.
Antônio abaixou a arma devagar e a entregou ao policial mais próximo. Irene voltou a se aproximar dele, seus olhos buscando os seus, querendo entender o que havia acontecido.
— Você está bem? — ela perguntou, tocando seu rosto com delicadeza.
Ele assentiu, exausto.
— Agora estou. — encarou a esposa, a puxando para um abraço, enquanto cobria seu corpo com o terno que Luigi lhe dera. — Você está bem? Ele não te machucou mesmo?
— Não. — negou. — Graças a você eu estou bem meu amor.
Os policiais começaram a organizar a cena do crime e levar os envolvidos para a delegacia. Irene e Antônio foram juntos, ainda em choque pelo que havia acontecido.
Na sala da delegacia, Antônio estava sentado à mesa, seus olhos cansados, mas determinados. O delegado Ayres folheava os papéis do caso enquanto um policial organizava algumas provas. Irene estava ao lado de Antônio, segurando sua mão discretamente por baixo da mesa.
Ayres soltou um suspiro e olhou para Antônio.
— Então, vamos direto ao ponto. O senhor alega que agiu em legítima defesa?
Antônio assentiu.
— Sim. Leonardo manteve minha esposa em cativeiro por dias. Ele sequestrou nossa filha e ameaçou matá-la. Quando fui resgatá-la, ele tentou me matar. Eu fiz o que precisava fazer para proteger minha família.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
