A manhã parecia uma extensão da noite anterior, sombria e silenciosa. Irene e Antônio estavam exaustos, as olheiras profundas denunciando as poucas horas de sono. Desde o desaparecimento de Aruna, eles não conseguiram descansar, o medo e a angústia dominando suas mentes e corações. Havia algo de inquietante no silêncio que os cercava, algo que tornava o peso da incerteza ainda mais insuportável.
Eles dirigiram até a delegacia, o carro avançando pelas ruas vazias como se o mundo em volta deles tivesse parado. As ruas pareciam estranhamente silenciosas, e cada semáforo vermelho parecia um obstáculo que os impedia de alcançar uma resposta, um alívio.
― Irene, nós vamos encontrar ela, eu prometo ― disse Antônio, com a voz rouca, tentando se convencer de suas próprias palavras.
- Não me promete nada Antônio. - encarou o marido, os olhos fundos e tristes. - Não me promete nada que não possa cumprir.
- Que é isso, Irene?! - reagiu ofendido. - Eu vou encontrar minha filha sim, nem que seja a última coisa que eu faça.
Ela não respondeu, apenas olhou pela janela, a mente longe, perdida nas lembranças do que estava acontecendo. Desde que Aruna havia desaparecido, a sensação de impotência parecia tomar conta de sua vida. O que mais poderiam fazer? Já haviam procurado em todos os lugares possíveis, mas o único resultado era o silêncio ensurdecedor.
Ao chegarem à delegacia, o delegado Ayres estava na sua sala, com os olhos cansados e o semblante sério. Quando os viu entrarem, ele se levantou imediatamente.
― Irene, Antônio, sentem-se. O que vocês trazem para mim agora? ― Ayres os observou atentamente, os olhos penetrantes, como se quisesse captar qualquer sinal de fraqueza.
― Ninguém nos procurou até agora ― disse Irene, sua voz baixa, quase quebrada. ― Estamos desesperados, Ayres. Não sabemos mais o que fazer. O silêncio está nos consumindo.
- Nós viemos aqui para ver se vocês já tinham alguma notícia da nossa filha. - completou. - Cada minuto que passa é um perigo maior.
Irene assentiu, sua expressão tensa.
― Estamos apavorados. - continuou. - E com razão. Se não houve nenhum contato ou proposta de acordo, o que significa isso? Por que a demora? O que estão fazendo com a nossa filha?
Ayres os observou por um momento, seu olhar grave e tranquilo.
― Calma, Irene. Vamos entender o que está acontecendo. O importante agora é não perder a compostura. Vamos seguir investigando, e eu já vou atualizar o inquérito.
- Me desculpa delegado Ayres, mas não é possível ter calma quando a sua filha de cinco meses está perdida por aí, nas mãos de um estranho.
Ele fez um gesto para que se sentassem, o que eles fizeram sem hesitar. Irene colocou as mãos sobre os joelhos, tentando se acalmar, mas a ansiedade estava tomando conta de cada fibra de seu ser.
Ayres se sentou à sua mesa e começou a revisar alguns papéis. O silêncio na sala era palpável, interrompido apenas pelo som das páginas sendo viradas.
― Sabemos que o principal suspeito é Damião. Ele tem tudo para estar envolvido nisso. Vocês têm mais informações sobre ele? ― Ayres perguntou, sem desviar os olhos do processo. - Algo que eu não sei sobre o passado?
Irene olhou para Antônio antes de responder.
― Damião foi demitido por Antônio cinco anos atrás ― começou Irene, com a voz tensa.
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Antorene: The After
FanfikceE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
