Uma Década

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DEZ ANOS DEPOIS...

A casa estava iluminada com luzes suaves, e o aroma da comida caseira se espalhava pelo ar. Irene terminava de ajeitar os últimos detalhes na cozinha, sentindo o coração aquecido. Antônio entrou silenciosamente e, com seu jeito característico, passou os braços ao redor da esposa, puxando-a para si.

- Dez anos desde que você disse "sim" pra mim pela segunda vez, e quarenta desde aquele primeiro dia - ele murmurou ao pé do ouvido dela, sua voz rouca e carregada de emoção.

Ela sorriu, inclinando a cabeça para encostar no ombro dele.

- E eu diria "sim" quantas vezes fosse preciso, Antônio.

Ele virou-a de frente para si, segurando seu rosto com ternura.

- Você sempre foi minha melhor escolha, Irene.

Antes que pudessem continuar, risadas infantis ecoaram pela sala. Aruna apareceu correndo, segurando a mãozinha do sobrinho Felipe, enquanto os gêmeos de Caio disputavam quem chegava primeiro à mesa.

- Vó! O Felipe pegou um brigadeiro antes da hora! - um dos gêmeos denunciou, fazendo todos rirem.

- Se puxou ao avô, esse menino - Petra brincou, lançando um olhar cúmplice para Antônio.

Ele riu, pegando o neto no colo.

- Não nego, esses olhos aqui são de quem sabe das coisas.

Caio se aproximou, ajudando a mãe a ajeitar os pratos, enquanto Irene observava tudo com um olhar brilhante. Luigi e sua esposa conversavam com Petra e o marido, e a mesa estava rodeada de vozes animadas.

Quando todos se acomodaram, Irene bateu uma colher no copo, chamando a atenção.

- Antes de começarmos o jantar, queria dizer algumas palavras - ela olhou ao redor, respirando fundo. - Tudo isso... essa casa cheia, essa mesa farta, essas risadas. Esse é o resultado do nosso amor. Quando olho para cada um de vocês, vejo nossa história escrita nos rostos e nos corações. Vejo as sementes que plantamos lá atrás florescendo a cada dia.

Antônio olhou para ela com admiração e segurou sua mão sobre a mesa.

- Se me perguntarem o que eu faria diferente, a resposta é: nada. Porque até os erros nos trouxeram até aqui. Você me ensinou que o amor não é perfeito, mas é forte o bastante para resistir a tudo.

Os filhos e netos ouviram com atenção, e Petra, emocionada, segurou a mão do marido.

- E que amor forte, hein? Sobreviveu a um casamento apressado, a brigas e até a um divórcio. Mas olha só, estamos aqui celebrando quarenta anos dessa loucura linda! - brincou Caio, fazendo todos rirem.

Irene riu também, enxugando discretamente uma lágrima. Antônio apertou mais sua mão e a puxou delicadamente para um beijo leve nos lábios.

- O amor tem muitos caminhos, e os nossos nunca foram retos. Mas sempre encontramos o caminho de volta um para o outro - Irene disse, olhando profundamente nos olhos do marido.

- E sempre vamos encontrar - Antônio completou, com a voz firme.

- Aos quarenta anos de uma história que valeu a pena! - Irene declarou, erguendo sua taça de vinho.

- E aos muitos mais que virão! - completou Antônio.

As taças se ergueram no ar e brindaram àquela jornada. Os netos riam, os filhos sorriam e o casal, no centro de tudo, se olhava com o mesmo brilho de tantos anos atrás.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora