Irene e Antônio estavam frente a frente no altar, as mãos entrelaçadas. O burburinho dos convidados desaparecia ao redor deles. Só existiam os dois.
O padre falava, mas Antônio mal prestava atenção. Ele só via Irene.
- Você tá tremendo, Antônio? - ela sussurrou, um brilho divertido nos olhos.
Ele resmungou, ajeitando o colarinho.
- Tremendo nada, mulher. Tá calor aqui dentro, só isso.
Ela sorriu.
- Calor, é? Engraçado, porque o ar está bem forte...
Ele estreitou os olhos, sem paciência para a provocação.
- Deixa de gracinha, Irene.
Ela apertou a mão dele, um pouco mais forte.
- Eu te amo, Antônio. - declarou, num som quase inaudível.
O coração dele deu um salto.
Ele pigarreou, tentando manter o controle.
- Sei disso.
Irene riu baixinho.
- Só isso que tem pra dizer?
Ele bufou.
- Cê gosta de arrancar coisa de mim, né?
- Gosto - ela respondeu, mordendo o lábio. - Agora fala.
Ele suspirou, vencido.
- Eu te amo, mulher. Sempre amei.
O olhar de Irene se suavizou.
O padre pigarreou, chamando a atenção dos dois.
- Podemos seguir?
Antônio revirou os olhos.
- Se dependesse dessa mulher aqui, nós ficava de papo até amanhã.
Os convidados riram. Irene revirou os olhos, mas não soltou a mão dele.
Luigi se aproximou, entregando as alianças, com a ajuda de Aruna, que as trouxe em sua entrada, dentro de uma caixinha dourada, com as iniciais dos pais. Antônio lançou um olhar desconfiado para ele.
- Se essa aliança for daquelas muito fininha, já aviso que não ponho no dedo.
- Deixa de ser implicante, Antônio - Irene ralhou.
Luigi apenas sorriu e entregou as alianças.
O padre olhou para Antônio.
- Pode fazer seus votos.
Ele respirou fundo, olhando Irene nos olhos.
- Lá atrás, quando me casei com você pela primeira vez, eu... eu fiz tudo errado. Casei porque tinha que casar. Casei porque você tava esperando Daniel e um homem tem que assumir sua responsabilidade. Acabou, não tem conversa. Com o passar de todos esses anos juntos, você me provou que é uma mulher de verdade. Que é alguém que eu nem merecia ter do meu lado. E mesmo assim, permaneceu. Até quando não éramos mais um casal, você salvou a minha vida.
Os olhos da mulher se encheram de lágrimas.
- No dia do nosso primeiro casamento, você me perguntou o motivo de eu ter me casado com você. - lembrou. - E eu não te respondi porque não sabia mesmo o que responder. Irene, eu já sentia coisas por você que eram um mistério pra mim e pra toda essa valentia que eu sempre tive orgulho de exibir. Você é o meu equilíbrio. Como eu poderia admitir que te amava sem que nem eu mesmo soubesse disso? Mas agora... agora eu tô aqui porque eu quero estar. Agora eu sei o motivo. E não tem nada mais que me faça ficar do que o amor que eu aprendi a sentir por você. Irene, você é a mulher da minha vida. Sempre foi. Sempre será.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
