O cativeiro estava impregnado de cheiro de mofo e suor. A lâmpada fraca piscava, lançando sombras tremeluzentes nas paredes descascadas. Antônio estava ali, parado, os olhos faiscando de ódio enquanto encarava Leonardo, que se recostava contra a mesa velha, os braços cruzados e um sorriso divertido no rosto.
— Antônio... — inclinou a cabeça para o lado, avaliando-o como se fosse um animal acuado. — Você veio enfim... Veio resgatar a pobre Irene? Fique tranquilo. Eu cuidei bem dela.
Antônio avançou um passo, os punhos cerrados.
— Olha só... O marido apaixonado veio resgatar sua bela e recatada esposa. — Sua voz carregava ironia. — Você demorou, Antônio. Estava ocupado demais se escondendo enquanto eu cuidava da Irene?
Leonardo riu baixo, balançando a cabeça.
— Você é tão previsível. Sempre agindo como o grande herói. Mas me diga... vale a pena? Você realmente acha que pode tirá-la de mim?
— Você pode falar o que quiser, Leonardo — disse, sua voz grave e controlada. — Tenta controlar a todos, de todas as formas, mas, eu sou o homem que ela ama. E isso não vai mudar.
— Você acha que ela é essa mulher forte, intocável? Que ela sempre te pertenceu? Não seja ingênuo, Antônio. Eu a conheço muito mais do que você. Eu sei quem é a Irene de verdade.
— O que você diz não me abala. — o encarou, gigante. — Eu conheço a minha mulher. É pra mim que ela se entrega de verdade. Sem medo, sem dor, sem segredos. Quando fazemos amor, vejo nos olhos dela o quanto ela me ama. O quanto sou o único homem que ela deseja. Mas, você não sabe o que é isso não é? Tudo que conseguiu nessa vida você não conquistou, só roubou e tomou.
Leonardo soltou um suspiro teatral e se afastou da mesa, caminhando lentamente pelo ambiente, como um predador rodeando sua presa.
— Não seja tolo, La Selva, Irene sempre foi minha garotinha obediente. — a risada grotesca vindo do fundo da garganta. — Ela sempre me provocou, Antônio. Sempre. Desde menina. Portanto, a história não é bem assim como te contaram.
O homem andava pelo cativeiro. Achando-se vitorioso.
— Você acha que ela é uma vítima, mas Irene nunca foi tão inocente assim...
Antônio sentiu o sangue ferver.
— Cala essa boca, seu desgraçado. — tremia. — ela nunca quis que você a tocasse. Ela é a vítima. Irene sempre teve nojo de você.
Leonardo riu, balançando a cabeça.
— Engraçado, porque eu me lembro de noites incríveis com ela... noites em que ela gemia no meu ouvido, me pedindo mais.
O soco veio antes que Antônio pudesse conter. Um golpe seco, direto no rosto de Leonardo, que cambaleou para trás, derrubando tudo que tinha nas mãos, no chão.
— Desgraçado! — Antônio gritou, avançando contra ele.
Leonardo se recuperou rápido, limpando o sangue no canto da boca com as costas da mão. Seu sorriso voltou, mais cruel do que antes.
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Do lado de fora, Irene tremia. Cada segundo de espera era uma tortura. Ela queria entrar, queria impedir que Antônio fizesse algo impensado, mas Luigi e os policiais que haviam acabado de chegar, seguravam-na firmemente.
— Calma, Irene! Ele sabe o que está fazendo! — Luigi tentou tranquilizá-la.
— Você não entende! — ela gritou, a voz trêmula. — Leonardo não brinca! Ele vai matar o Antônio!
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
