A Dúvida

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- Desce. Por favor, vamos conversar. - Implorou.

O carro de Irene freou bruscamente na estrada de terra que levava de volta à fazenda. Ela apertou o volante com força, os olhos queimando de raiva e frustração. O coração batia tão rápido que ela mal conseguia raciocinar.

Desde que ouviu outro carro parar atrás do seu e antes que pudesse reagir, viu a porta do veículo se abrir e Antônio descer apressado, a poeira subindo ao seu redor. Ela não conseguia ter paz.

Irene estava com os olhos marejados, o peito subindo e descendo com a respiração acelerada. Antônio deu um passo à frente, querendo tocá-la, mas ela se afastou de imediato.

- Não encosta em mim! - ela gritou, sua voz embargada de dor.

Antônio parou no lugar, sentindo um nó na garganta.

- Irene... você só viu uma conversa!

Ela soltou uma risada amarga, passando as mãos pelo rosto, tentando conter as lágrimas.

- Uma conversa? Você acha que foi só isso? Você não imagina o quanto o que eu vi me machucou, Antônio.

O homem sentiu o estômago revirar.

- Irene, pelo amor de Deus, eu nunca mais te trairia!

Ela respirou fundo, tentando se recompor, mas cada palavra dele parecia só piorar a dor.

- Não tinha urgência nenhuma nas fazendas, não é? - Ela o encarou com olhos carregados de mágoa. - Você foi correndo pra ela ontem à noite depois que fizemos amor.

Antônio fechou os olhos por um segundo, frustrado.

- Não foi isso!

- Não? - Ela riu, cínica. - Então me explica, Antônio. Me diz que enquanto eu estava de resguardo e você subia pelas paredes como um animal, você não estava me traindo de novo.

Ele negou com a cabeça, os olhos brilhando com desespero.

- Eu nunca mais faria isso com você!

Irene deu um passo à frente, o dedo apontado para o peito dele.

- Eu voltei a me entregar pra você! - gritou, sentindo o corpo inteiro tremer. - Eu fiz amor com você, mesmo que isso significasse passar por cima de todos os meus medos e inseguranças.

Antônio piscou, sentindo o peso daquelas palavras.

- Você fez amor comigo só pra me satisfazer?

Irene passou a mão pelo rosto, exausta emocionalmente.

- Todas as vezes que eu me entreguei pra você foi por amor, Antônio. Todas.

O silêncio caiu entre eles. Um silêncio sufocante, carregado de dor.

Antônio quis segurá-la, quis abraçá-la e pedir que acreditasse nele. Mas o olhar dela, tão ferido, tão decepcionado, o impediu.

- Irene! Espera!

Ela ameaçou entrar no carro num rompante, tentando fugir de todas as explicações que ele cobrava sobre o que ela estava sentindo.

- O que você ainda tem pra me dizer, Antônio? Vai tentar me convencer de que eu não vi o que acabei de ver?

Ele passou a mão pelos cabelos, respirando fundo.

- Não é o que você está pensando.

Ela riu, uma risada amarga.

- Não? Então me diz, Antônio. O que exatamente você estava fazendo no bar da Cândida?

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora