Traição?

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A manhã na fazenda era tranquila. O cheiro do café recém-passado se misturava ao aroma adocicado do bolo que Irene havia preparado. O sol entrava suavemente pela janela da cozinha, iluminando a cena doméstica com um ar quase idílico.

Sentado à mesa, Antônio devorava o café da manhã como se não houvesse amanhã, enquanto Irene o observava, escondendo um sorriso divertido.

- Hummmm, olha só. Parece que alguém acordou faminto hoje - ela comentou, arqueando uma sobrancelha.

Ele ergueu os olhos e sorriu de canto, enquanto passava manteiga na torrada.

- Preciso recuperar as energias, né? Depois da noite que tivemos...

Irene rolou os olhos, fingindo impaciência.

- Você é impossível.

- Sou? Ou você que gosta de me provocar? - Ele piscou, levando um pedaço de bolo à boca.

Ela cruzou os braços, fingindo indignação.

- Eu provocar? Que absurdo!

Antônio inclinou-se na cadeira, olhando-a com aquele sorriso de quem já sabia o desfecho daquela conversa.

- Ontem à noite, no escritório, quem foi que trancou a porta e me olhou daquele jeito?

Irene corou, mas não deu o braço a torcer.

- Eu só queria privacidade para organizar os documentos.

Ele riu, tomando um gole de café.

- Sei... e o que aconteceu depois? Você me jogou na mesa porque queria deixar os papéis mais organizados?

Ela apertou os lábios, tentando conter o riso.

- Talvez eu só quisesse testar a resistência dos móveis.

Ele apoiou o cotovelo na mesa e encarou-a com um brilho divertido nos olhos.

- Eu acho que a mesa sobreviveu bem... Mas não tenho a mesma certeza sobre mim.

Ela riu e levou um pedaço de bolo à boca.

- Se você conseguiu levantar da cama hoje de manhã e está aqui na minha frente, fazendo tantas gracinhas durante o café, eu imagino que você esteja inteiro sim.

Antônio balançou a cabeça, mordendo a torrada.

- Eu tô inteiro, mas completamente viciado em você.

Ela suspirou teatralmente.

- Antônio, já passamos dessa fase de galanteios baratos.

Ele inclinou-se um pouco mais, segurando o pulso dela com delicadeza.

- Não é galanteio barato. É a verdade.

O tom sério pegou Irene de surpresa. Os olhos de Antônio queimavam desejo, mas também carinho.

- Eu nunca me canso de te querer, Irene. Nem depois de tantos anos.

Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Antes que pudesse responder, um gritinho chamou a atenção deles.

- Eita, parece que não sou só eu que estou feliz hoje não.

Aruna batia a colher em sua mesa, enquanto olhava para os pais com os olhos brilhando.

Irene sorriu e se inclinou para beijar a bochecha da filha.

- Parece que nossa pequeninha quer atenção.

Antônio pegou a mãozinha da menina e beijou-a.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora