O silêncio na antiga sede da cooperativa foi quebrado pelo som de passos apressados e vozes exaltadas. Irene sabia que podia parar caro por ter permitido que Aruna fugisse com Antônio. Mas, não conseguia se importar com isso. Não verdade, só pensava no quanto desejava que Antônio encontrasse um lugar seguro para abrigar sua filha.
O homem entrou no cativeiro de Irene como se estivesse entrando com uma boiada. Nada sorrateiro, observou a filha enquanto segurava firmemente um pacote de cereal, que não perdia a mania de comer absolutamente cru, sem leite, sem nada.
- Acordada ainda meu amor? - debochou, enquanto quebrava os cereais no dente. - Esperando por mim?
A mulher o observava, um sorriso irônico se formando em seus lábios. Já que ficaria em cativeiro por um ponto mais de tempo, se divertiria irritando Leonardo.
- Por você não. Mas, pra ver essa cena patética, com certeza. Então quer dizer que você ainda gosta de cereal? Como um bebezinho? - debochou. - Achei que fosse o tipo de homem que preferiria algo mais sofisticado. Algo que, sabe, não fosse tão... infantil. - a risada que ela abafou foi puramente imperceptível.
Leonardo parou de mexer no pacote de cereais e olhou para ela, os olhos estreitos, ainda não compreendendo o motivo de seu comentário sarcástico.
- O que você quer dizer com isso? - Ele perguntou, claramente irritado com a provocação.
Irene riu, não escondendo mais o sarcasmo.
- Ah, nada, nada... Só achei engraçado ver um homem como você, tão cheio de si, comendo cereal, como se fosse uma criança. - Ela balançou a cabeça, fingindo um ar de desprezo. - Não que eu me importe, é claro. Cada um com suas preferências.
- Você também gostava de cereal. - riu, fingindo não se importar.
- Eu? Não querido. De jeito nenhum. Quem gostava de cereal era o teu fiel escudeiro. - ficou séria de repente. - Dirceu.
Leonardo franziu o cenho, claramente incomodado, mas não queria mostrar que estava afetado. Ele tentou mudar de assunto, ignorando o tom de zombaria de Irene.
- Você não tem nada melhor para fazer do que zombar de mim, Irene? ,- Ele disse, com uma voz mais baixa, mas ainda cheia de raiva. - Tem certeza de que é isso que você quer?
Irene o encarou, sorrindo ainda mais, sem se deixar intimidar. Ela estava se divertindo, mas também estava ganhando um pouco de controle sobre a situação, o que era um pequeno alívio, diante do tempo que precisara ganhar até que Antônio conseguisse esconder Aruna.
- Sabe, Leonardo... O cereal é até uma boa metáfora para você. - disse, com um tom ainda mais sarcástico. - É doce e simples por fora, mas dentro... dentro é vazio. Um pouco sem graça, se me permite dizer.
Leonardo, agora visivelmente irritado, apertou os dentes. Ele sabia que não deveria cair nas provocações de Irene, mas a ideia de ela rir dele, de ser zombado, mexia com seu ego de uma forma que ele não conseguia controlar.
- Eu não tenho paciência para os seus jogos, Irene. - Ele rosnou. - Mas não pense que vou deixar você me humilhar assim.
Irene se levantou do chão e caminhou até ele, com passos firmes, sem medo.
- Ah, claro. - Ela respondeu, dando um sorriso largo. - Eu estou apenas brincando, Leonardo. Não se ofenda, ok? Só que, cá entre nós, nunca imaginei que um homem tão... imponente como você gostasse de cereal. Mas, agora que eu penso, talvez seja uma boa comparação, né? Você é bem mais... raso do que parece.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
