A luz fraca do abajur projetava sombras suaves pelas paredes do quarto improvisado no cativeiro. Irene respirou fundo diante do espelho, analisando sua própria imagem. A camisola vermelha de renda caía suavemente sobre seu corpo, deixando pouco para a imaginação. Sob o tecido delicado, a lingerie combinava com a intenção da noite: seduzir Leonardo e fazer com que ele baixasse a guarda.
Seu estômago revirava em nojo e nervosismo, mas não havia espaço para hesitação. Esse era o momento ao qual o homem que a fez tanto mal, durante toda uma vida, iria pagar por tudo.
Com passos lentos, ela se dirigiu à cama, ajeitando cuidadosamente o microfone sob os lençóis. Precisava ter certeza de que Antônio conseguiria ouvir tudo.
— Tem que funcionar. — Torceu. — Tem que dar certo.
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No lado de fora do cativeiro, Antônio estava posicionado, um fone no ouvido e o coração martelando no peito. A polícia havia prometido invadir o local assim que Irene desse o sinal, mas a demora estava deixando-o cada vez mais apreensivo.
— Droga, por que eles estão demorando tanto? — murmurou, olhando para Luigi, que estava ao seu lado. — Não pode dar errado, italiano, não pode.
— Devi essere calmo. Se entriamo presto mettiamo a rischio Irene.
Antônio fechou os olhos por um momento, tentando controlar a ansiedade. Então, ouviu a primeira frase clara pelo fone.
— Oi meu amor, estou testando o microfone. — a voz de Irene soou suave, mas ele pôde perceber a tensão oculta. — Eu sei que você já está aí, sinto o seu cheiro no ar. Espero estar nos seus braços daqui a pouco.
Ele respirou aliviado.
— Ele está vindo. — anunciou, enquanto o homem ajeitava o fone e cutucava Luigi.
— Fique a postos Italiano, aquele desgraçado chegou.
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Leonardo entrou sem bater, como se fosse o dono de tudo — e, naquele momento, era. Seu olhar deslizou pelo corpo de Irene, e um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios.
— Irene, você está... deliciosa. — murmurou, percorrendo os olhos por cada detalhe da roupa dela.
Irene reprimiu um arrepio de repulsa e sorriu de maneira provocante.
— Achei mesmo que você gostaria. — sussurrou, lutando para que o homem não percebesse seu desconforto.
Ele se aproximou, segurando-a pela cintura com firmeza. O cheiro dele a enojava, mas ela não podia demonstrar fraqueza.
As lembranças do passado ameaçaram jogar tudo por água abaixo.
Irene sentiu o coração acelerar quando Leonardo se aproximou. O cheiro dele, o peso do olhar predador, tudo a fazia querer correr, fugir, gritar. Mas ela não podia. Tinha um plano, precisava ser forte.
Ainda assim, enquanto ele roçava os dedos em seu braço, um calafrio tomou conta de seu corpo. De repente, a cena diante dela se dissolveu.
O colchão duro e gasto do cativeiro se transformou no pequeno tapete vermelho de seu quarto de infância. As paredes descascadas se tornaram os tons suaves do papel de parede com desenhos de flores. E Leonardo ainda estava ali. Era o mesmo abusador de anos atrás.
A lembrança veio como um golpe.
Ela tinha apenas sete anos quando a primeira vez aconteceu. Pequena demais para entender, grande o suficiente para sentir o medo rastejando por sua pele como algo frio e pegajoso. O vulto se aproximava, um homem de passos pesados, que falava baixo, sempre pedindo segredo.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
