Obsessão

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Irene On:
Eu sabia dos planos de Damião. Sabia da sua obsessão por mim. Sabia das suas intenções e do quanto ele estava descontrolado pra decidir correr riscos vindo até aqui. Eu sabia que ele me desejava. Sabia que ele me queria. E mesmo apavorada com tudo isso, eu sabia que precisava pensar rapidamente no que fazer, ou estaria perdida. É verdade, eu nunca estive em uma situação assim, antes. Mas, eu já passei por muitas coisas na vida. E na maioria delas eu precisei de muita coragem. Coragem pra não permitir que me obrigassem a mais nada. Nunca mais. Eu era só uma menina assustada, quando precisei enfrentar meus medos pela primeira vez. E eu o fiz, porque tinha uma motivação forte pra isso: Daniel.

[• Nova Primavera (MS), 1993 •]
- Dá pra você soltar o meu braço? Quase gritou, enquanto subia rapidamente as escadas de sua casa. Eu sei que Antônio pediu que você me protegesse, mas, não me lembro de ouvir que você deveria me seguir por toda a casa. Reagiu, amedrontada. Isso parece estranho. Eu preciso de privacidade, Durval.
- A madame precisa de mim. Segurou firmemente seus braços. Precisa que eu cuide de tudo enquanto o patrão estiver fora. Lembrou. E enquanto ele estiver longe daqui, eu posso até fingir que sou teu marido. Cochichou.
- Você não se atreveria. Ameaçou, enquanto ainda brigavam no topo da escada.
- Eu não duvidaria, se fosse a senhora. Beijou seu pescoço, invasivo.
- Me solta Durval. Ordenou. Me solta agora.
- Relaxa madame. Não precisa ser assim, se você colaborar.
- Eu disse pra você me soltar. Gritou, antes de ser empurrado por ela, destemidamente das escadas. Um crime silencioso e de legítima defesa, protegido por Antônio, que decidiu mandar esconder o corpo do funcionário, ao chegar em casa e encarar a esposa, grávida, completamente em choque pelo que havia acabado de acontecer. Nunca tinha matado antes. Mas, julgou necessário faze-lo. Precisava se proteger. Proteger o próprio filho.

[• Nova Primavera (MS), 2023 •]
- Você sabe o que eu quero... Se aproximou, a causando repulsa. Sabe muito bem o que precisa fazer. Levantou sua blusa, rapidamente, enquanto ela pensava desesperadamente em uma alternativa para proteger a si mesma.
- Espera. Pediu enquanto ele beijava de forma asquerosa seu pescoço. Espera Damião, a minha filha...
- Sua filha vai continuar no mesmo lugar. Encarou a mulher. O que eu quero não tem nada a ver com ela. Segurou sua cintura, enquanto terminava de retirar a blusa da mulher, a deixando somente de sutiã. Ela não vai atrapalhar o amor gostoso que a gente vai fazer. Mordeu sua orelha, enquanto a mais nova tentava procurar por algo que a permitisse reagir, rapidamente.

Irene On:
Pensa Irene. Pensa. Você tem que pensar. Tem que reagir. Não dá. Não dá pra deixar esse homem tocar você. Você prometeu que não deixaria que mais ninguém fizesse isso. Reage. Reage. Pediu a si mesma. Você é mais inteligente do que isso. Você...

[• Nova Primavera (MS), 1999 •]
- Antônio?! Gritou o marido, enquanto o procurava por toda casa. Antônio?! Você está aí? Entrou no escritório, sem cerimônia. Antônio?! Eu estou te gritando por um bom tempo. Revelou, porque não respondeu?
- Eu não ouvi. Continuou concentrado. Tô com a cabeça fervendo. O que você quer?
- Cabeça fervendo? O que houve? Se preocupou. Algum problema nas fazendas?
- Esses empregados imprestáveis. Quase gritou. Novidade nenhuma. Sempre arranjando uma desculpa pra não vir trabalhar. Socou a mesa.
- Quem é dessa vez?
- Damião. Economizou. Precisava daquele inútil pra fazer uns serviços pra mim e ele simplesmente me inventou uma crise diabética.

[• Nova Primavera (MS), 2023 •]
Irene On:
Diabetes. O Damião é diabético. Como eu pude me esquecer disso. Comemorou internamente, enquanto continuava se esquivando do homem. Agora vai Irene, usa o seu poder de sedução e vira esse jogo. Faz isso agora, finalmente você tem um plano.

- Espera aí... Mudou o tom de voz, enquanto tentava fazer com que o homem acreditasse na sua farsa... Você não acha melhor fazer na cama? Humm?! Disfarçou.
- Fazer na cama? Encarou, desconfiado. Agora a pouco você...
- Você mesmo disse que eu não tenho saída. Continuou, fingindo. Tá disposto a me tomar nos seus braços de qualquer jeito, não está? Se aproximou, perigosamente. Você me quer, não quer, Damião?
- Você é muito gostosa. Afirmou, não dá pra resistir. Voltou a se aproximar.
- Você pode fazer o que quiser. Despistou. Mas vamos pra cama. Argumentou. Eu estou grávida. Exijo cavalheirismo. Não é possível que você queira tomar uma mulher como eu aqui, no corredor. Andou para trás, enquanto entrava novamente no quarto de Daniel.
- Por mim pode ser em qualquer lugar. Cheirou novamente o pescoço da mulher, enquanto tentava conduzi-la até a cama.
- Perai, você tá muito apressado. Se levantou rapidamente, enquanto o impedia de abrir sua calça. Eu preciso de uma ajudinha. Gosto de fazer com gelzinho. Protestou, enquanto ia até o banheiro, deixando o homem em êxtase.
- Você tá doida pra relembrar os velhos tempos, não é safada? Gritou. Tá doida pra voltar a ser aquela vagabunda do bar da Cândida, não está? A encarou, enquanto ela retornava para a cama.
- Estou. Sensualizou, para que ele não notasse o que ela realmente trazia na mão esquerda. Pode me ajudar a ser aquela vagabunda de novo?
- Então vem cá. A puxou. Vem que eu vou te dar o que você tanto quer. Se deitou sobre ela, antes de sentir uma dor aguda em uma de suas pernas. Desgraçada. Gritou, enquanto se sentia tonto. Sua desgraçada, o que você fez? Tentou se mover, mas não conseguiu. Eu vou te pegar. Gritou. Eu vou pegar você nem que seja no quinto dos infernos. Pode esperar. Ameaçou, enquanto Irene corria rapidamente para o antigo quarto de Caio, no andar de baixo da casa.
- Alô?! Luigi?! Alcançou o telefone fixo da cozinha. Eu preciso de você. Pediu, enquanto chorava ofegante, começando a entender o que iria acontecer.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora