IRENE ON:
Os dias seguintes no hospital foram uma mistura de alívio e inquietação. Antônio não saiu do meu lado nem por um segundo, mas mesmo com sua presença constante, eu continuava sentindo aquela sombra pairando sobre nós. Era como se nunca pudéssemos viver em paz. Como se algo sempre fosse dar errado.
Aruna dormia tranquila no bercinho ao lado da cama quando uma batida suave na porta me fez sobressaltar. Antônio se levantou imediatamente, e meu coração disparou.
- Sou eu, Petra - disse a voz abafada do outro lado.
Antônio abriu a porta, e minha filha entrou carregando uma sacola cheia de frutas e sucos. Seu sorriso caloroso não escondia a preocupação nos olhos.
- Como vocês estão? - Ela perguntou, sentando-se na poltrona ao lado.
- Tentando respirar - respondi, apertando os lábios em um sorriso fraco.
Petra olhou para Aruna e depois para mim, como se tentasse medir minha força naquele momento.
- Mãe, eu sei que ainda é difícil acreditar, mas ele não pode mais machucar vocês. A polícia garantiu que não há brechas. Eles estão monitorando tudo.
- Eu quero acreditar nisso - falei, desviando o olhar. - Mas Damião... ele não é previsível. Ele não desiste fácil.
Petra abriu a boca para responder, mas Antônio a interrompeu.
- Eu já falei com o delegado esta manhã. Eles reforçaram a segurança na nossa casa. Além disso, colocaram patrulhas na vizinhança. Eu também contratei um sistema de monitoramento por câmeras. Nada vai passar despercebido.
Olhei para ele, surpresa.
- Você não me contou isso.
Ele deu de ombros.
- Eu não queria te sobrecarregar com mais detalhes. Só quero que você saiba que estamos seguros.
Tentei absorver as palavras dele, mas meu instinto de alerta continuava ligado. Petra segurou minha mão, como se pudesse sentir meu medo ou ouvir o que eu dizia em pensamento. Também não queria preocupar Antônio. Mas, sabia que jamais viveria em paz outra vez.
- Você não está sozinha, Irene. Estamos todos com você.
Assenti, mas o aperto no peito não cedia.
___________________________________________________
7 DIAS PÓS PARTO
___________________________________________________
ANTÔNIO ON:
O comportamento de Irene nos últimos dias tem me deixado apreensivo. Tenho um medo constante de que ela não consiga encontrar a paz que tanto precisa. Essa angústia, ainda mais agora, em um momento tão frágil como o pós-parto, me tira o chão. Também temo que Damião volte a ameaçar tudo o que eu amo. E se tudo ruir de uma vez? Mas não posso deixar que ela perceba meus medos. De jeito nenhum.
- Prontoo Aruninha, você já é uma cidadã de Nova Primavera. - Anunciei - Seu papai cuidou disso pra você.
- Deixa eu ver. - Pareceu animada. - Deixa eu ver como ficou Antônio.
- Aqui. Tudo certinho aí - Estendi a certidão de nascimento recém impressa.
- Aruna Aldrava La Selva. - Leu, orgulhosa. - Filha de Irene Aldrava La Selva e Antônio La Selva. Foi declarante, o pai. - Se emocionou. - Que lindo meu amor. Que lindo. O nome dela ficou lindo.
- Isso te anima um pouco mais? Te faz se sentir melhor? - Alisou seu rosto, concentrado.
- Você me faz sentir melhor. Você e essa família maravilhosa que estamos reconstruindo juntos.
- Muito obrigado por mais essa chance que você e a vida estão me dando de ser feliz Irene. Eu não vou desperdiçar. Não vou.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
