Irene estava sentada à mesa, os olhos fixos na tela do computador, mas sua mente estava longe. Com as mãos trêmulas, tentava concluir a compra das passagens. De repente, seu coração acelerou. Franziu o cenho, checou as informações e digitou novamente, mas o erro persistia. Um calafrio percorreu sua espinha quando percebeu a verdade. Seus documentos haviam sumido.
- Não pode ser... - murmurou, levantando-se de repente.
Do outro lado da sala, Petra percebeu o desespero da mãe e se aproximou.
- O que foi?
Irene se virou para a filha, os olhos arregalados.
- Meus documentos sumiram! Eu sempre deixei tudo aqui, nessa bolsa. Ontem não encontrei no carro, jurava que estivessem aqui. Mas agora eles sumiram.
Petra segurou os ombros da mãe, tentando acalmá-la.
- Mãe, respira. Tem certeza de que não guardou em outro lugar?
- Tenho! - Irene levou as mãos à cabeça, exasperada. - Ou o carro, ou aqui. Meus documentos nunca estiveram em outro lugar. A não ser que...
- A não ser que o que mãe?
- Isso só pode ser coisa do seu pai.
Petra suspirou pesadamente.
- Você acha mesmo que ele faria isso?
Irene riu sem humor.
- Depois de tudo, você ainda pergunta? Antônio nunca aceitou que eu fosse embora! Ele deve ter pego meus documentos pra me impedir.
A filha hesitou, sabendo que não poderia negar a possibilidade.
- E se conversarmos com ele antes de você tomar qualquer decisão precipitada?
- Eu não vou esperar pra ouvir mais promessas vazias, Petra. Vou pegar os documentos e ir embora.
A moça abaixou a cabeça, apertando os lábios.
- Eu só queria que você ficasse... Que me visse grávida, que estivesse aqui quando meu filho nascesse.
Os olhos de Irene suavizaram ao ver a tristeza da filha.
- Filha...
- Você nunca perdeu nada da minha vida, mãe. Sempre fez questão de estar presente. E agora, vai perder o momento mais importante.
Irene segurou o rosto da filha entre as mãos.
- Eu te amo, minha filha. E amo seu bebê, mesmo sem conhecê-lo ainda. Mas eu não posso ficar. Não depois de tudo.
Petra segurou as lágrimas, assentindo em silêncio.
Enquanto arrumava as últimas malas, Irene pediu ajuda a Ramiro para levá-las ao carro.
- Com a sua licença patroa. - Entrou no cômodo. - Tem certeza de que quer ir embora assim? - ele perguntou, carregando uma das malas pesadas.
- Não tem mais nada que me prenda aqui, Ramiro. - pareceu firme. - A não ser o sumiço dos meus documentos. Se eu não encontrá-los, não consigo viajar.
O funcionário desviou o olhar por um instante, pensativo.
- Ué dona Irene, mas eu vi seus documentos no escritório do patrão.
Irene parou no meio do movimento, o coração disparando.
- No escritório do Antônio? - arregalou os olhos. - Tem certeza disso Ramiro?
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Antorene: The After
Fiksi PenggemarE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
