Antônio On:
Sinto um ódio profundo em relação a Damião. E é mais que isso, carrego um peso de culpa por ter permitido sua entrada em minha casa e concedido a ele total liberdade. Sou consumido pelo remorso ao lembrar que confiei a proteção da minha família a alguém que não merecia um pingo de confiança.
Eu sei que, ao longo da minha vida, eu cometi inúmeros erros, e que agora, estou arcando com as consequências de cada um deles. E sim, eu concordo que talvez seja hora de baixar a guarda e aceitar as punições que me aguardam, já que fui eu mesmo, o responsável por todas as coisas ruins que se abateram sobre a minha casa. Mas, jamais permitirei que o mesmo destino se abata sobre Irene, Caio, Petra e Aruna. Eles são minha razão de viver, meu alicerce, tudo o que tenho e amo neste mundo. Não posso, e não irei, permitir que alguém que amo, parta diante dos meus olhos, não outra vez.
- Hoje. Ordenei. Eu quero a cabeça desse desgraçado hoje. O mais rápido possível. Faça o seu trabalho, e será bem recompensado. Lembrei, antes de bater o telefone.
O homem caminhou por toda a casa, completamente preocupado com a guerra que se instauraria. Como Irene, também tinha medo que as coisas não terminassem como desejava. Também tinha medo que sua família corresse risco outra vez. Mas, estava disposto a proteger sua esposa e filha, custasse o que custasse. Há um tempo atrás, prometeu a Irene que ela daria a luz em segurança e calma, e estava disposto a cumprir essa promessa. E sabia que o grande dia chegaria. Aruna estava cada vez mais perto de nascer e sua presença em seus braços era tudo o que ele precisava pra viver em paz. Com o amor de sua vida.
- Irene?! Chamou. Ô Irene?! Andou até a varanda, onde haviam conversado pela última vez, há pouco mais de meia hora no início da noite. Irene?! Chamou. Cadê você?
Sentiu uma angústia abater o seu peito. Sentia algo de errado no ar. Sabia que a falta de respostas da esposa, indicava algo. Tentou se acalmar, pensando no quanto ela poderia estar chateada com a forma com que ele reagiu há alguns minutos. Mas, como ela poderia culpa-lo por querer protegê-la ou cuidar das coisas mais preciosas que ele conseguiu ter ao longo da vida?
Enquanto sua cabeça explodia de pensamentos, seu coração também não era capaz de descansar. Estava inquieto quando observou a marca de pneus na frente de casa. Proativamente olhou para a garagem e constatou que todos os carros da casa estavam lá. Até mesmo o que sua esposa usava. Sentiu seu peito fechar e o coração acelerar. Procurou pela casa com mais rigidez e desespero.
- Ireneeee?! Gritou.
- Aconteceu alguma coisa D. Antônio?! Surgiu da cozinha ao ver o patrão gritar pela patroa.
- A Irene. A Irene sumiu Neide. Você viu ela sair com alguém? Viu alguma coisa?
- Não senhor, Doutor Antônio, eu não vi nada.
Retornou a varanda e se aproximou das marcas de pneu, na frente dela. Alguém esteve ali, e por algum motivo, ele não queria nenhuma visita. Encarou cada parte do piso e se deu conta de algo que brilhava em meio a lama do chão. Se abaixou para alcançar o objeto e sentiu seu corpo gelar, imediatamente. O objeto, um cordão com a sua inicial, arrebentado e largado ao chão, pertencia a alguém que ele conhecia bem.
- Droga. Gritou. Drogaaaaa. Ele levou ela. Esse desgraçado levou a minha mulher. Se desesperou.
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Antorene: The After
FanficE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
