O sino da porta da loja de lingerie soou suavemente quando Irene entrou. A luz branda do local era uma mudança drástica em comparação aos dias cinzentos que passara no cativeiro. Ela ajeitou a bolsa no ombro e lançou um olhar calculado ao capanga de Leonardo, que aguardava próximo à entrada com os braços cruzados e uma expressão entediada.
- Não vai demorar muito. - Disse ela, forçando um sorriso. - Mas preciso de privacidade para escolher algo... especial.
O homem resmungou, claramente desconfortável com a situação, mas não argumentou. Irene sabia que a paciência dele seria curta, então precisava agir rápido.
Ela percorreu as prateleiras com lingeries delicadas, escolhendo algumas peças aleatoriamente e mantendo uma expressão despreocupada.
- Vou experimentar essas. - Disse ao capanga, erguendo um conjunto de rendas pretas, um vermelho e vários outros, de todas as cores.
- Tudo isso madame? - tentou argumentar. - Anda logo. Não tenho o dia todo. - Ele bufou.
Ela lançou um olhar desdenhoso.
- Não ouse me apressar. Escolher a roupa certa é essencial. - Se aproximou. - Ou você quer que eu volte de mãos vazias e desaponte Leonardo? Hum?
O capanga revirou os olhos, balançando a cabeça enquanto a mulher caminhava em direção aos provadores.
Assim que Irene entrou no pequeno espaço fechado, trancou a porta e encostou-se à parede. A tensão no ar era palpável.
- Antônio? - Sussurrou. - Você está aí ?
- Aqui. - Ele surgiu de trás de uma cortina improvisada, o rosto marcado pela preocupação.
Ela sentiu um alívio imediato ao vê-lo, mas o sorriso desapareceu rapidamente quando percebeu a seriedade em seus olhos.
- Irene, o que você está fazendo? - perguntou, aproximando-se dela em um passo rápido.
Ela segurou o dedo nos lábios, sinalizando para que ele falasse mais baixo.
- Precisamos ser rápidos. Leonardo colocou um capanga de um mau humor insuportável para me acompanhar.
- Rápidos? Você está me dizendo que sua ideia brilhante é vir até aqui escolher lingerie enquanto está no meio de um cativeiro? - Antônio cruzou os braços, o tom exasperado. - Eu mal dormi pensando no que você está prestes a fazer, e agora... isso?
Irene ergueu uma sobrancelha, pegando um dos conjuntos que trouxe.
- Você está aqui, não está? Então, não custa nada me ajudar a escolher. - sussurrou. - Preto ou vermelho?
- Irene. - Antônio agarrou seus ombros, a intensidade em sua voz. - Isso não é uma brincadeira. O que exatamente você pretende?
- E se eu disser que vou usar cada uma delas com você depois que tudo isso acabar? - piscou, usando a sedução para que Antônio não percebesse sua insegurança.
Mas, abaixou o conjunto, percebendo o quão abalado ele estava.
- Antônio, eu preciso que você confie em mim. - Disse suavemente. - Você vai pensar que estou indo longe demais, mas, eu sei o que estou fazendo.
Ele balançou a cabeça, ainda visivelmente frustrado.
- Confiar em você? Você quer que eu confie em um plano onde você literalmente se entrega aquele desgraçado que te abusou?
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
