Epílogo

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- Esses grãos tem um valor muito maior do que podem imaginar. - Sorriu, com nostalgia. - Antônio La Selva, meu pai, sempre soube o que queria ser. Herdou essas terras de meu avô, mas fez delas um império muito maior do que eram. Eu cresci no meio desses campos. E aprendi a amar essa Cooperativa. Erguida com paixão.

O sol dourava os campos vastos da Fazenda Irene La Selva, refletindo-se nas folhas das plantações como pequenos cristais de luz. Aruna caminhava entre os alunos de Nova Primavera, explicando cada detalhe da cooperativa que seu pai, Antônio La Selva, tanto sonhou construir. Sua voz era firme, carregada de respeito e carinho por tudo que aquele lugar representava.

- Meu pai acreditava que a terra deveria ser compartilhada, assim como os frutos que ela dá. Ele queria que cada família de Nova Primavera tivesse acesso às melhores sementes, às melhores mudas. Essa cooperativa é o legado dele para essa cidade. - Ela sorriu, observando os olhares atentos dos jovens. - Ele não era só um grande produtor rural. Ele era um visionário.

Os alunos escutavam em silêncio, absorvendo cada palavra. Entre eles, alguns filhos de agricultores olhavam para os campos com uma nova perspectiva. Aruna continuou:

- Mas o que fez de Antônio La Selva um homem verdadeiramente grandioso não foi apenas o que ele construiu com as mãos, mas o amor que carregava no coração. Meus pais viveram uma história intensa, repleta de desafios, mas sempre voltavam um para o outro. E eu... - ela fez uma pausa, respirando fundo. - Eu sou o último fruto desse amor.

Ao final da visita, Aruna se despediu dos alunos e retornou para casa. Assim que chegou na fazenda, foi recebida pelos filhos, Antônio e Irene, que correram até ela.

- Mamãe, você demorou! - reclamou o pequeno Antônio, os olhos brilhando como os do avô.

- Estava na cooperativa, meu amor. Falando sobre o vovô e a vovó.

A pequena Irene, sentada no tapete da sala, olhou para a mãe com curiosidade.

- O vovô era mesmo o maior produtor da história de Nova Primavera?

Aruna sorriu e se ajoelhou diante deles, acariciando os cabelos dos filhos.

- Sim, minha filha. Antônio La Selva foi o maior produtor rural que essa cidade já conheceu. Mas, acima de tudo, foi um homem que amou sua terra, sua família e sua história. E enquanto a gente lembrar dele, ele nunca deixará de existir.

Os dois pequenos sorriram, sentindo o orgulho da mãe transbordar. Aruna olhou para os retratos na parede, onde a imagem de Antônio e Irene La Selva permanecia viva, como se ainda estivessem ali, cuidando de tudo e de todos.

A herança deles não era apenas a terra, as fazendas ou a cooperativa. Era o amor que transcendeu o tempo, florescendo em cada geração que vinha depois.

Ao entrar na casa onde cresceu, Aruna sentiu um aperto no peito. O cheiro do café recém-passado trazia lembranças tão vívidas que, por um momento, ela quase esperou ver sua mãe na cozinha, cantarolando enquanto preparava o café da manhã. Mas a casa estava silenciosa.

A sala refleta de fotos dos pais e de momentos únicos fazia doer o coração daquela mulher.

Segurou firmemente um porta retrato que capturava um olhar penetrante de seus pais, no dia de seu noivado. Aqui mesmo, no mesmo lugar em que estava.

Ela caminhou até a sala e passou os dedos sobre um porta-retratos antigo. Nele, Antônio e Irene sorriam para a câmera, com ela ainda criança no colo do pai. O coração apertou.

De olhos fechados, Aruna se permitiu mergulhar nas memórias.

Lembrou-se das tardes na fazenda, quando Antônio a colocava na sela do cavalo e ensinava sobre o gado, as plantações, as estações do ano.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora