Tempos de Agonia

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A sala onde Irene estava cativa era escura e úmida. O silêncio era quebrado apenas pelo som de gotas de água pingando de algum lugar no teto. O corpo de Irene doía devido ao tempo que passara amarrada. Seu coração estava pesado, mas seus pensamentos giravam incessantemente em torno de Aruna e Antônio. Ela precisava ser forte, por eles.

De repente, o som de passos ecoou pelo corredor. Irene ergueu a cabeça, tentando enxergar através da escuridão. A porta rangeu ao se abrir, revelando a figura imponente de Leonardo. Ele carregava consigo aquele ar ameaçador que sempre fazia o estômago de Irene revirar.

Leonardo entrou calmamente, seus olhos cravados nela. Com um movimento lento e deliberado, ele tirou uma pequena faca do bolso.

- O que está fazendo? - ela perguntou, a voz rouca de tanto chorar. - Por que está me soltando?

- Fique tranquila, minha querida. Hoje não é seu dia de sofrer... ainda. - Ele sorriu, aproximando-se devagar.

- O que quer agora, Leonardo? Veio ver até onde consegue me quebrar? - Irene respondeu com a voz rouca, mas carregada de ironia.

Leonardo inclinou a cabeça, analisando-a como um predador faz com sua presa.

- Quebrar você? - Ele riu baixo, como se ela tivesse contado uma piada. - Não, minha pequena. Você já veio quebrada. Eu só estou te moldando, te reconstruindo... para ser o que sempre foi destinada a ser.

- E o que seria isso? - Irene rebateu com sarcasmo. - Um troféu? Um objeto? Ou só mais uma vítima da sua doença?

Ele aproximou-se dela, sua expressão escurecendo ligeiramente.

- Não me provoque, Irene. Você sabe que posso ser generoso... ou impiedoso. - Ele deslizou a faca pelo cordão que a prendia à cadeira, cortando as amarras com calma. - Hoje decidi ser generoso.

Irene levantou-se devagar, massageando os pulsos marcados pelas cordas.

- Generoso? - Ela riu, amarga. - Você não sabe o que essa palavra significa.

Leonardo ignorou a provocação e abriu a porta, fazendo sinal para que ela o seguisse.

- Venha comigo. Quero te mostrar algo.

Irene hesitou, mas sabia que não tinha escolha. Seguiu-o por um corredor estreito até uma sala trancada.

- O que tem aí? - Ela perguntou, tentando esconder o medo na voz.

Irene franziu a testa, os olhos fixos nele.

- Você pegou Antônio? Foi isso? O que vai fazer com ele?

Leonardo deu uma risada baixa, que fez Irene estremecer.

- Meus homens foram até sua casa, mas ele não estava lá. - Ele inclinou-se, aproximando o rosto ao dela. - Mas isso é só uma questão de tempo. Antônio não vai escapar de mim.

Irene soltou um suspiro de alívio.

- A essa altura aquele metido a herói já deve estar procurando por você.

- Onde vai me levar? O que você vai fazer?

Leonardo virou-se para ela, o sorriso sarcástico de volta.

- Na sua salvação... ou sua ruína. Depende de você.

Leonardo a encarou por um momento, antes de responder com um tom teatral:

- Decidi dar a você uma prova do meu amor. Quero que veja como sou generoso, Irene. Quero que veja sua filha.

Leonardo fez um gesto para que ela o seguisse. Sem escolha, Irene se levantou lentamente, sentindo as pernas trêmulas de fraqueza. Ele a conduziu por um corredor estreito e mal iluminado, até parar diante de uma porta de madeira velha. Leonardo abriu a porta, revelando um pequeno quarto improvisado.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora