Eu não Consigo

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O sol dourava o campo de soja, refletindo nos fios soltos dos cabelos de Irene, que caminhava de mãos dadas com Antônio. O cheiro da terra molhada se misturava ao aroma das folhas verdes ao redor, e a brisa morna da tarde tornava o momento ainda mais agradável.

A plantação está linda. — Irene comentou, deslizando os dedos pelas folhas robustas. — Tão verde, tão forte... dá pra ver o quanto você tem cuidado disso.

Antônio sorriu, orgulhoso.

— Implantamos um novo sistema de irrigação, que ajuda a distribuir melhor a água sem desperdício. Agora as raízes recebem a umidade na medida certa.

Irene olhou para ele, fascinada pela paixão com que ele falava.

— Eu sempre admirei o quanto você ama isso aqui. A terra, o trabalho duro... tudo isso faz parte de quem você é.

É, eu realmente amo demais tudo isso.

Você fica tão lindo explicando as coisas dessa forma. — sorriu. — É mesmo o melhor no que faz meu amor. Definitivamente é o melhor.

Ele parou de andar por um momento, apertando a mão dela com mais força.

E você faz parte de quem eu sou. — declarou. — Sabe que, eu tenho uma boa notícia...

Eu sabia. Sabia que algo tinha acontecido pra você me trazer aqui. Conta. Conta o que aconteceu. — encarou o homem, animada. — Não enrola Antônio, eu preciso muito de boas notícias.

Eu estive na delegacia mais cedo e... — exitou. — Acabou amor. A minha prisão domiciliar chegou ao fim. O delegado arquivou as acusações todas. Depois de mais de um ano preso em casa, eu finalmente tô livre de novo. Eu posso voltar ao trabalho e retomar a minha vida.

Que notícia maravilhosa. — encarou o homem, que a rodopiou no ar. — Mas, foi tão ruim assim ficar em prisão domiciliar comigo?

Não. É claro que não.

Ela sorriu suavemente, e Antônio inclinou-se para beijá-la. O toque era suave no início, mas logo a intensidade aumentou. Ele deslizou as mãos pela cintura da esposa, trazendo-a para mais perto.

Amor, onde você quer chegar em?

Sinto falta de quando a gente fazia amor aqui. — Ele murmurou contra os lábios dela.

Irene sentiu o rosto esquentar.

Antônio...

Lembra? — Ele insistiu, beijando-a novamente. — Aqui mesmo, no meio das folhas, sob o céu aberto... você sempre adorou.

Ela riu baixinho, sentindo o desejo crescer junto com as lembranças. Ele a puxou ainda mais para perto, colando seus corpos.

Eu te quero, Irene. — A voz dele saiu rouca.

Ela suspirou, entregando-se ao momento. Suas mãos deslizaram pelos ombros dele, desfazendo o primeiro botão da camisa. Antônio a puxou para perto de uma das máquinas agrícolas abandonadas e a encostou contra o metal frio, fazendo-a arfar.

Você me deixa louco, sabia?

Ele beijou seu pescoço, descendo lentamente até a curva de sua clavícula.

Antônio, se alguém chegar?

Relaxa... — ele murmurou, sua boca quente traçando um caminho de desejo. — Ninguém vai chegar.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora