Garota do Bar

66 9 7
                                        

DIAS DEPOIS...

A noite já ia alta quando Antônio chegou em casa. O silêncio preenchia o ambiente, mas assim que fechou a porta atrás de si, ouviu passos rápidos no andar de cima. Irene.

Ele subiu as escadas, sentindo a tensão se espalhar pelo corpo. Ao entrar no quarto, encontrou-a em frente ao espelho, tirando os brincos e soltando o cabelo. Seus olhos se cruzaram pelo reflexo.

- Chegou tarde - ela comentou, com um tom indiferente, enquanto largava o tablet na mesa ao lado. A ponta de ironia era evidente.

Antônio suspirou, já esperando a provocação.

- Tinha trabalho para resolver.

Ela soltou uma risada curta.

- Claro... reuniões, fazendas, negócios. Me esqueci de algo? Ah sim, claro, uma visita cordial ao bar das piranhas.

Ele estreitou os olhos.

- Irenê...

- O que foi? Falei alguma mentira? - Ela se virou, cruzando os braços. - Ou quer que eu finja que você não estava até agora de olho em piranha barata?

Ele passou a mão pelos cabelos, exasperado.

- Você precisa parar com isso.

Ela ergueu uma sobrancelha.

- Com o quê? Com essa mania chata de enxergar a realidade?

Antônio respirou fundo, tentando manter a calma, mas não conseguiu evitar o tom ácido quando retrucou:

- Engraçado ouvir isso de você. Afinal, passou meses fingindo que não existia outro homem na sua cama além de mim e no fim das contas...

Os olhos de Irene se estreitaram.

- Se vai jogar Vinícius na conversa, pelo menos tenha coragem de ouvir o que eu tenho a dizer.

- Por favor - se sentou para encara-la. - Vá em frente.

Ela se aproximou lentamente, o olhar carregado de raiva e mágoa.

- Eu nunca tinha traído você. Antes do caso com o Vinícius, nunca houve outro homem. - revelou. - Mas você não pode dizer o mesmo não é?

Ele cerrou a mandíbula, mas não disse nada.

- Eu só me envolvi com ele porque você me deixou sozinha. Me fez sentir cada vez mais abandonada desde que aquela desgraçada voltou.

Antônio bufou, cruzando os braços.

- Então foi isso? Estava carente e decidiu se jogar nos braços do primeiro que te tratasse bem?

Irene riu com escárnio.

- Foi exatamente isso.

O peito dele subia e descia rapidamente, o ciúme ardendo em suas veias.

- Olha aqui ô Irene....

- O que foi, Antônio? Não aguenta ouvir? - continuou a provocação enquanto o homem encarava seu decote. - Eu me senti vulnerável, e Vinícius estava lá. Me tratava com carinho, me ouvia, me desejava e me amava. Enquanto você me recusava na cama.

- Corta essa Irene. Eu te conheço e conheço muito bem. Vai me dizer que você não se aproximou dele por causa dos diamantes?

Ela franziu os lábios, o olhar se tornando sombrio.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora