O sol já começava a se pôr quando Irene chegou à fazenda. O vento soprava suavemente, balançando os galhos das árvores e trazendo o cheiro da terra úmida. Ela respirou fundo, deixando que a nostalgia tomasse conta. Há mais de trinta anos, Antônio havia lhe dado aquela fazenda como um presente de casamento. Na época, ela não imaginava o quanto aquela terra se tornaria parte da história deles.
[• NOVA PRIMAVERA (MS), 1993 •]
A manhã estava clara e fresca quando Antônio segurou as mãos de Irene, guiando-a por um caminho de terra batida. Ela ria, um riso leve e feliz, enquanto ele tampava seus olhos com delicadeza.
— Antônio, você vai me dizer para onde estamos indo ou vai me fazer andar de olhos fechados para sempre? — ela brincou.
Ele riu, apertando um pouco mais os dedos dela entre os seus.
— Aguenta só mais um pouquinho, Irene. Prometo que vai valer a pena.
Ela suspirou teatralmente.
— Se eu tropeçar e cair de cara no chão, nunca vou te perdoar.
— Eu te seguro, mulher! Confia em mim.
Irene sorriu. Mesmo sem enxergar, sentia-se segura ao lado dele.
Antônio finalmente parou e posicionou-a bem à sua frente. O vento balançava as folhas das árvores e o som suave da natureza preenchia o silêncio ao redor.
— Pronta? — ele perguntou, animado.
— Acho que sim.
Ele afastou as mãos dos olhos dela, e Irene piscou algumas vezes para se acostumar à luz do sol. Quando finalmente conseguiu focar no que estava diante dela, ficou sem palavras.
Um campo enorme, com terras férteis se estendendo até onde a vista alcançava. No centro, uma casa de madeira recém-construída, simples, mas acolhedora.
Ela arregalou os olhos e virou-se para Antônio, confusa.
— O que é isso? — sorriu deslumbrada. — Que lugar é esse?
Ele sorriu largo, orgulhoso.
— Eu sempre gostei dessa fazenda. — lembrou. — Sempre brinquei aqui, quando era criança. Mas, ela nunca teve um nome. E agora ... O seu nome vai estar nessa terra, Irene. Essa fazenda é sua.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Antônio… você está falando sério?
Ele assentiu.
— Depois que casamos, eu queria te dar algo que fosse só nosso. Um lugar onde a gente pudesse vir, ver nossos filhos correrem. Eu queria que essa terra tivesse seu nome porque você tá me trazendo algo muito importante.
Irene levou as mãos à boca, emocionada.
— Eu nem sei o que dizer…
— Então só diz que gostou — ele murmurou, acariciando seu rosto.
Ela riu entre as lágrimas.
— Eu amei!
Ele riu junto com ela e puxou-a para um abraço apertado.
— Fico feliz. Porque agora isso aqui é o começo da nossa história. Você agora é minha esposa. E eu espero que continue sendo por muitos anos.
Ela encostou a cabeça no peito dele e suspirou.
— E a história já começou linda.
Antônio colocou uma das mãos sobre a barriga dela, ainda discreta, mas já abrigando o primeiro filho do casal.
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Antorene: The After
FanficE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
