A manhã do batizado de Aruna nasceu clara e serena, mas o coração de Antônio estava longe de refletir essa tranquilidade. Desde que Irene decidira partir, ele não conseguia pensar em outra coisa. A ideia de perder sua filha e esposa o consumia, trazendo um desespero silencioso que ele tentava controlar.
Antes da cerimônia, sentiu a necessidade de ver a filha. Subiu as escadas com passos firmes, parando diante da porta do quarto de Aruna. Ele a abriu lentamente, sem fazer barulho, mas ao entrar, deu de cara com Irene.
Ela estava de costas, ajeitando os laços no delicado vestido branco da bebê. Seu cabelo caía sobre os ombros, e ele percebeu que suas mãos tremiam levemente ao prender um dos botões.
— Achei que já estivesse na igreja — Antônio quebrou o silêncio, cruzando os braços.
Irene nem se virou para olhá-lo. Apenas continuou o que fazia.
— Eu ainda não terminei de arrumá-la. — respondeu com a voz neutra.
Antônio deu um passo à frente, os olhos pousando sobre a filha, que sorria inocente, alheia a toda tensão entre os pais.
— Ela está linda — disse ele, quase num sussurro.
Irene então se virou, lançando-lhe um olhar irônico.
— Pelo menos nisso concordamos.
Ele soltou um suspiro pesado e esfregou o rosto, tentando conter a frustração.
— Irene, nós precisamos conversar.
— Não temos mais nada para conversar, Antônio.
— Você acha justo me tirar da vida da minha filha?
Ela arqueou as sobrancelhas e soltou uma risada sem humor.
— Justo? Antônio, desde quando você se importa com o que é justo?
Ele franziu o cenho.
— O que você quer dizer com isso?
— Quero dizer que tudo o que vai acontecer agora é resultado das suas escolhas. Você viveu a vida inteira decidindo por nós dois, traçando caminhos sem se importar com as consequências. Agora é a minha vez.
— Você não pode simplesmente fugir com a minha filha!
— Fugir? — Irene repetiu, incrédula. — Você acha que eu estou fugindo?
— O que mais seria? Você está indo para um lugar que eu nem imagino qual seja, sem me dizer nada!
Ela riu, balançando a cabeça.
— E você queria que eu te dissesse o quê? Que esperasse sentado enquanto eu embarco com Aruna?
Antônio cerrou os punhos, sentindo a raiva crescer dentro dele.
— Você não tem esse direito, Irene.
Ela o encarou, seus olhos brilhando com algo entre a dor e a determinação.
— Eu não poderia viver sem ela, Antônio. Aruna é tudo o que eu tenho. E se eu estou indo embora, acredite, não é porque quero, mas porque preciso.
Ele sentiu o impacto daquelas palavras como um golpe no peito.
— Eu também preciso de vocês — ele disse, a voz quase quebrando.
Irene desviou o olhar por um momento, antes de suspirar e voltar a focar nele.
— Tarde demais para isso.
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Antorene: The After
FanficE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
