Fuga de Irene

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Era uma noite quente de verão, e a casa estava mergulhada em um silêncio raro. Aruna, com quase três meses de vida, finalmente adormecera depois de horas de choro incessante. Irene aproveitou aquele momento de paz para relaxar no sofá, com uma xícara de chá em mãos, o olhar perdido no horizonte pela janela da sala.  Antônio entrou na sala, os passos suaves, mas o olhar decidido. Desde o nascimento de Aruna, eles mal tinham um momento a sós. Irene estava constantemente focada na bebê, e Antônio, por mais compreensivo que tentasse ser, começava a sentir falta da intimidade que um dia compartilhavam.

Ele sentou-se ao lado dela, deslizando o braço em torno de seus ombros.

Irene, você está linda hoje — disse, a voz baixa e carregada de intenção.

IRENE ON:
Olho para Antônio e percebo o desejo em seus olhos. É inegável que ele quer mais, e eu sinto isso. Mas, por dentro, estou em um turbilhão de emoções. As mudanças no meu corpo me deixam insegura, e tudo o que vivi nos últimos meses pesa sobre mim. O sequestro, as ameaças de Damião durante a gravidez, e o nascimento da nossa filha, Aruna, há apenas três meses, deixaram marcas profundas. Não é que eu não queira estar com Antônio; eu quero. Mas não quero apenas satisfazê-lo ou fazer algo que não me sinto pronta para viver. Sinto falta da conexão que tínhamos antes de tudo isso acontecer, daquela intimidade leve e despreocupada. Mas agora, tudo parece diferente. Preciso de tempo para me recompor, para lidar com o emocional abalado e entender meu novo eu. Quero que as coisas voltem a ser como antes, mas isso só vai acontecer quando eu me sentir realmente pronta. Não quero forçar nada; quero que seja especial novamente, como deveria ser entre nós. Enquanto olho para ele, sinto um misto de amor e insegurança. Espero que ele compreenda minha necessidade de esperar e que possamos redescobrir nossa intimidade juntos, no tempo certo. Acredito que o amor verdadeiro é também sobre respeitar os limites um do outro e encontrar um caminho que nos leve de volta àquele lugar seguro onde tudo fazia sentido.

Irene sorriu, mas desviou o olhar.
Estou exausta, Antônio. Aruna me deixou acordada a noite inteira ontem

Antônio sentiu um aperto no peito. Ele entendia sua fadiga, mas não podia deixar de pensar na distância que parecia crescer entre eles.   

Sei que está cansada, mas achei que poderíamos ter um tempo para nós dois. Só você e eu... como antes. — Beijou seu pescoço, animado.

Irene sentiu o rosto corar, mas rapidamente procurou uma desculpa.

Ah, Antônio, eu pensei em aproveitarmos a noite assistindo à alguma coisa. Sei lá, um filme. — Sugeriu. — Quero ficar abraçadinha com você.

Olho para Irene e sinto um desejo intenso por ela. Cada vez que a vejo, meu coração acelera e minha mente se enche de pensamentos sobre nós. No entanto, percebo que ela está tão absorvida na maternidade que parece não conseguir enxergar o que está bem na sua frente: eu.

ANTÔNIO ON:
Ela é linda, mesmo após ter passado por um parto há apenas três meses. Sua silhueta ainda tem um charme especial, e eu não consigo resistir ao seu sorriso com covinhas que iluminam o ambiente. Os cabelos dela parecem vivos, dançando com cada movimento, e seu olhar sedutor me atrai de uma maneira que eu nunca imaginei ser possível. E aqueles seios fartos... Eles me lembram do quão maravilhosa ela é. Mas, ao mesmo tempo, sinto uma frustração crescente. Por que ela foge dos meus braços? Às vezes, parece que a distância entre nós aumenta a cada dia, e eu não entendo por quê. Quero abraçá-la, sentir sua pele contra a minha e redescobrir a intimidade que tínhamos antes de tudo mudar. Sinto falta da conexão entre nós, da cumplicidade que nos unia. Quero mostrar a ela que ainda sou o homem que a ama profundamente, alguém que deseja estar ao seu lado em todas as fases da vida. Mas como posso fazer isso se ela parece tão distante? Espero que um dia possamos nos reencontrar e redescobrir o amor que ainda vive em nossos corações.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora