A Aflição

98 11 1
                                        

A noite estava silenciosa, mas Irene não conseguia encontrar paz em seu sono. Um calafrio percorreu sua espinha, trazendo à tona uma sensação estranha e inquietante. Tomada por um forte impulso, se sentou na cama, o coração acelerado, tentando entender o que estava acontecendo.
O relógio na mesinha de cabeceira marcava 3:15 da manhã. A escuridão parecia mais densa, quase palpável. "Só um pesadelo", pensou, mas a sensação não desaparecia. Levantou-se e caminhou lentamente até a cozinha, onde a luz suave da geladeira iluminava sutilmente o ambiente. Precisava de água para acalmar a mente e dissipar o frio que a envolvia.

Ao chegar à cozinha, encontrou Antônio em pé perto do fogão, preparando o leite para Aruna. Ele estava tão concentrado que não percebeu sua presença imediata.

- Amor? - chamou Irene, sua voz um pouco trêmula. - Ela acordou? Eu não ouvi ela chorar...

Antônio virou-se com um sorriso caloroso ao ver a esposa.

- Oi, querida! - Continuou o que estava fazendo. - Ouvi ela resmungar um pouco. Não quis te acordar. Desci para ver se tinha um pouco do seu leite ainda na geladeira. Encontrei, e resolvi morar antes que ela chorasse. - Explicou. - E você? não deveria estar dormindo?

- Não consigo... Senti algo estranho - respondeu, enquanto tentava esconder o quanto estava abalada.

Ele deixou a panela de lado e aproximou-se, envolvendo-a em seus braços. O calor dele era reconfortante, mas a inquietação ainda persistia.

- Vamos tomar um pouco de água. - sugeriu, levando-a até a pia.

Irene sorriu levemente enquanto ele enchia um copo. Depois de beberem juntos, ela se sentiu um pouco melhor, mas ainda havia uma sombra pairando sobre ela.

- Preciso ver como Aruna está - disse Irene, decidida. - Você se importaria de me acompanhar até o quarto dela? Eu só preciso de você lá.

Antônio assentiu, sem hesitar. Ele percebeu que a inquietação de Irene não era apenas sobre a falta de sono, havia algo mais profundo que a preocupava. Pegou a pequena mamadeira com o leite morno da filha e seguiu Irene.

Ao entrarem no quarto cheio de borboletas da bebê, puderam encarar o berço, como um pequeno santuário onde Aruna dormia serenamente, seus pequenos lábios se movendo em sonhos distantes.

Irene se abaixou perto do berço, sua expressão suavizando ao ver a filha tão tranquila.

- Ela é tão perfeita. - Seu tom quase é reverente.

Mas logo sua expressão mudou para uma sombra de preocupação.

- Antônio, eu tenho muito medo do mundo que ela vai enfrentar. É tão perigoso lá fora... E se algo acontecer com ela?

Antônio se aproximou dela, colocando uma mão reconfortante em suas costas.

- Eu entendo seus medos. - Disse suavemente. - Mas precisamos lembrar que sempre estaremos aqui para protegê-la.

- Você promete? - perguntou, olhando nos olhos dele com intensidade.

- Eu prometo. - Respondeu firmemente. - Nós dois faremos tudo o que for preciso para garantir que Aruna tenha uma vida feliz e segura. Ela é uma bênção em nossas vidas.

Irene assentiu lentamente, sentindo-se ligeiramente aliviada pelas palavras dele.

- Se não fosse por ela, nunca teríamos nos reencontrado. - murmurou. - No meio daquele acidente em que eu tentava matar a dor que sentia arder no meu peito, descobrir que ela existia, me trouxe alento.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora